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10 coisas que você precisa saber sobre Mindhunter

Mindhunter

Mindhunter é um livro de não ficção de investigação criminal escrito por John Douglas, conhecido como o primeiro caçador de serial killers americano, em parceria com Mark Olshaker, escritor, roteirista e diretor.

Durante sua impressionante carreira de 25 anos no FBI, Douglas foi responsável por praticamente fundar a unidade de ciência comportamental, posteriormente renomeada Unidade de Apoio Investigativo por ele mesmo.

A sua principal função era a análise de perfil: ele e seus colegas agentes analisavam todos os dados de um crime e a partir de provas, evidências, testemunhas e fotos, criavam o possível perfil do criminoso. A especialidade deles era crimes sexuais e assassinatos em série – um termo que ainda não existia na época.

Graças à série baseada na obra lançada pela Netflix recentemente, o livro foi publicado no Brasil este ano pela Editora Intrínseca, com tradução de Lucas Peterson.

Desta vez, eu resolvi fugir um pouco do formato tradicional de resenha do SLET e listar dez coisas que você precisa saber sobre Mindhunter. Depois de acabar o post, deixa um comentário pra gente dizendo se você ficou com vontade de ler o livro!

  1. O livro foi publicado originalmente em 1995

O livro tem 22 anos! Eu precisei me relembrar deste fato com frequência durante a leitura. Todos os casos narrados nele aconteceram há no mínimo 25 anos.

O trabalho de John Douglas e seus colegas foi fundamental para a área de ciência comportamental e análise de perfil. No entanto, a investigação criminal evoluiu imensamente nos últimos anos. Hoje em dia, é muito mais fácil desvendar um caso com todas as novas tecnologias e avanços da área, como, por exemplo, a análise de DNA.

  1. John Douglas narra o livro em primeira pessoa – e fala bastante sobre ele mesmo

Douglas narra suas experiências em primeira pessoa desde o ensino fundamental, em uma tentativa de comprovar sua predestinação a analisar perfis. O início do livro, para mim, foi maçante e parecia mais uma autobiografia.

Além disso, Douglas é um típico americano ensimesmado, que adora falar de si mesmo, ter sempre razão e mostrar o quanto foi importante para as pessoas. Cheio de “eu fiz”, “eu criei”, “eu sei”… (Tendo vivido nos EUA por 18 meses na casa de um desses indivíduos, me foi bem familiar.)

  1. O livro melhora bastante quando começa a análise de serial killers

Quando Douglas finalmente começa a falar sobre o seu trabalho no FBI na unidade de ciência comportamental, o livro dá uma bela melhorada. Realmente, o trabalho que eles desenvolveram é fascinante, muitas vezes confundido com clarividência na época.

“Mas 25 anos de observação também me provaram que criminosos são mais ‘criados’ do que ‘nascidos assim’, o que significa que, em algum momento da vida, alguém que exerceu uma influência negativa muito forte poderia ter exercido uma influência positiva muito forte.”

  1. John Douglas entrevistava serial killers nas cadeias

John Douglas estava trabalhando como diretor em uma escola ambulante, lecionando a policiais em cidades por todo os Estados Unidos, quando ele percebeu que os seus alunos sabiam muito mais do que ele na prática. Como mudar isso?

Foi assim que decidiu entender sobre o assunto direto da fonte. Para reunir todo o conhecimento sobre assassinos em série, ele passou a realizar, juntamente com outros agentes, entrevistas com os mais famosos criminosos ainda vivos. O conteúdo rendeu um trabalho acadêmico inovador sobre psicologia criminal e um avanço imensurável em investigações.

Douglas relata várias dessas conversas com assassinos como Ed Kemper, Jerry Brudos e até mesmo Charles Manson, falecido esta semana.

  1. Douglas inventou os termos serial killer e assinatura do crime

Foi Douglas que passou a perceber que alguns criminosos tinham uma série de “rituais” e métodos aplicados a seus crimes, que eram repetidos a cada vítima. Ele percebeu que compreendê-los e estudá-los poderia ser o fator-chave para encontrar o assassino antes que ele matasse de novo.

Foi assim que surgiu o termo serial killer – assassino em série – e também o emprego da palavra “assinatura” em crimes em série.

Modus operandi, ou MO, é um comportamento adquirido. É o que o criminoso faz para cometer o crime. É algo dinâmico, ou seja, pode ser mudado. A assinatura, um termo que criei como uma distinção em relação ao MO, é o que o criminoso precisa fazer para se satisfazer. É algo estático: não pode ser alterado.”

  1. A análise das vítimas também é extremamente importante

Por que um assassino só mata mulheres? Talvez porque ele tinha um relacionamento terrível com a mãe e tenha desenvolvido uma insegurança, pavor e ódio generalizado de todas as mulheres. Por que as vítimas foram torturadas antes de morrer e mutiladas depois? Pode ser que o assassino tenha necessidade de controle e seja uma pessoa organizada demais na sua vida “normal”.

A partir da análise da vítima é possível entender o criminoso, principalmente em casos em série, em que o perfil da vítima se repete. O que nos leva ao próximo tópico…

Mindhunter

  1. O livro poderia se chamar O homem que não amava as mulheres

A maioria esmagadora dos assassinos em série é homem e as suas vítimas quase sempre são mulheres. Apesar de listar alguns casos em que as vítimas eram meninos ou homens, esse livro, sim, merecia o título de O homem que não amava as mulheres (da coleção Millennium). Como vítimas, elas passam por atos inimagináveis de violência por homens que as odeiam, desejam ou temem por diversos motivos.

E uma coisa que me espantou é que a maioria dos criminosos de motivação sexual era casada e tinha filhos!

  1. Dificilmente há uma reação certa para evitar ser vítima de um estuprador

Mesmo com todos os seus estudos, Douglas percebe que é “difícil oferecer conselhos gerais sobre o que fazer em uma situação de estupro”.

“Dependendo da personalidade do estuprador e de sua motivação para cometer o crime, a melhor coisa a se fazer pode ser tanto cooperar quanto tentar convencê-lo a desistir. Ou talvez isso só piore as coisas. Resistir ou tentar lutar contra o que chamamos de ‘estuprador de reafirmação de poder’ pode fazer com que ele pare. Resistir a um ‘estuprador de excitação de raiva’ quando a vítima não é forte ou rápida o bastante para se livrar dele, pode levar à morte da vítima.”

  1. Não leia Mindhunter de estômago cheio ou durante as refeições

Se você tem estômago fraco, é melhor ler Mindhunter em momentos mais seguros. Além de narrar as conversas com os assassinos presos, Douglas descreve detalhadamente diversos casos resolvidos por ele e sua equipe – inclusive os atos do assassino e a condição das vítimas quando encontradas. E algumas são bem nojentas e revoltantes!

Não se espante se você começar a olhar mais ainda para os lados quando sair de casa à noite. O livro traz exemplo do que há de pior no ser humano.

  1. No geral, o livro é muito interessante

Apesar de ter sido uma leitura bem lenta (levei mais de duas semanas para acabar), achei o livro interessantíssimo. O autor escreve sobre vários assuntos pertinentes, como o papel da imprensa na captura de um criminoso, crimes cometidos por membros da própria família da vítima e, para mim o mais interessante, a diferença entre o assassino ser doente e não saber se o que está fazendo é certo ou errado. (Mesmo que considerados doentes, Douglas acredita que eles são perigosos e devem ser privados do convívio em sociedade.)

Quando cometeu seu primeiro assassinato, já era tarde demais. Mas será que o processo poderia ter sido interrompido em algum momento no meio do caminho? Com os estudos e os trabalhos que realizei desde então, tornei-me extremamente pessimista a respeito de qualquer coisa remotamente parecida com reabilitação para a maioria dos assassinos com motivações sexuais. Para que haja qualquer chance de sucesso, algo precisa ser feito em uma etapa muito inicial, antes que eles alcancem o ponto em que a fantasia se torna realidade.”

Mais para o final do livro, achei que o relato da análise de perfis começou a ficar um pouco repetitivo, mas isso não chega a atrapalhar a leitura. Tirando as páginas sobre a vida pessoal de Douglas antes do FBI, eu recomendo Mindhunter!

Sobre o autor

Brenda Bellani

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