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4 diferenças entre o livro e a série Mindhunter

A série Mindhunter, da Netflix

A série de drama policial Mindhunter estreada na Netflix em outubro é baseada no livro de 1995 escrito por John Douglas e Mark Olshaker e lançado recentemente no Brasil pela Intrínseca.

Depois de finalmente acabar de ler o livro e publicar resenha aqui, fui assistir à série e foi rapidinho. São só dez episódios de aproximadamente 50 minutos cada, passa que você nem vê. O produtor executivo (e diretor de alguns capítulos) da série é David Fincher, diretor dos filmes Clube da Luta, Os homens que não amavam as mulheres e Garota Exemplar – ou seja, alguém que sabe muito bem adaptar obras literárias.

A série é bem fiel ao livro em vários aspectos, mas há algumas dessemelhanças fundamentais.

[A seguir, este post pode conter spoilers sobre a série Mindhunter.]

4 DIFERENÇAS

1. Um é não ficção e o outro é ficção

Apesar de ter Olshaker como coautor, o livro original é escrito em primeira pessoa por Douglas e em diferentes momentos parece uma autobiografia. A obra é inteiramente dedicada ao relato do seu trabalho na Unidade de Ciência Comportamental do FBI, onde ele e outros agentes inventaram a análise de perfil entrevistando serial killers famosos na cadeia e estudando seus crimes.

A série é amplamente baseada na realidade, mas é uma obra de ficção!

2. Os personagens

Holden Ford e Bill Tench, respectivamente interpretados por Jonathan Groff e Holt McCallany, como disse acima, não existem na vida real. No entanto, a dupla de agentes com diferença de idade entre eles na série acaba representando duas fases da vida e da carreira de John Douglas.

Ford tem o perfil mais ensimesmado e revolucionário de quando Douglas era jovem e estava em início de carreira, além de ser mais insensível às barbáries cometidas pelos entrevistados; Tench representa o agente em uma fase mais experiente e madura, já casado e sem a pretensão de “mudar o mundo” (apesar de, na vida real, o agente ter de fato mudado o mundo das investigações criminais e gostar de salientar durante o livro todo).

Holden e o agente real têm outra coisa em comum: os dois parecem admirar os psicopatas de certa forma. Tench, no entanto, foi baseado em Robert K. Ressler, um veterano da Unidade de Ciência Comportamental que embarcou na tarefa de entrevistar os assassinos com Ford, na época bem mais jovem que ele.

No livro, Douglas menciona em alguns momentos a psicóloga acadêmica, Ann Burgess, que os ajudou a tornar as entrevistas em uma pesquisa de verdade, publicável, mas ela não acaba se tornando praticamente uma “chefe” dos agentes na Unidade como a Wendy da série (Ann Torv). Na vida real, ela foi casada com Allen Burgess e era especializada nas consequências psicológicas de vítimas de crimes com motivações sexuais.

3. A vida pessoal

Douglas fala do início do seu relacionamento e um pouco sobre o seu casamento com Pam, mas nada tão detalhado quanto o namoro de Holden com Debbie (Hanna Gross).

Ele e a esposa tiveram duas meninas e um menino – nenhum adotado. A história do filho adotivo de Bill é ficção e me incomodou um pouco. Eu desgosto muito deste estereótipo de filho adotado problemático, que acaba prejudicando a imagem da adoção. Será que os roteiristas quiseram dar a entender que o menino tem “potencial” para ser psicopata? Achei lamentável.

Acho que poderiam ter escolhido uma trama melhor para mostrar como a ausência de Bill por causa da rotina profissional prejudica o relacionamento em família – coisa que realmente aconteceu com John Douglas e seus colegas de trabalho.

4. A dramatização

O serial killer Ed Kemper da vida real e o da série, muito bem interpretado por Cameron Britton. (Imagem: Vulture)

Por ser ficção e não precisar se ater à realidade, muitas histórias reais são exageradas ou over dramatizadas.

Exemplos:

  • O diretor que fazia cosquinhas nos pés das crianças era real e John Douglas defendeu a sua demissão, mas não chegou a influenciar de forma tão direta no caso e isso não deu problema para ele no FBI;
  • Ed Kemper foi o primeiro serial killer entrevistado e também o mais inteligente, eloquente e aberto aos agentes, mas não chegou a virar “amigo” de Douglas ou ameaçar a vida dos agentes de qualquer forma. (O ator que interpreta Kemper está excelente!) As conversas com o criminoso também foram baseadas nesta entrevista.
  • Nenhum agente do FBI levou um sapato para Jerry Brudos na cadeia.

Esses são só alguns exemplos que fogem da realidade, mas que funcionam na série.

4 SEMELHANÇAS

A série Mindhunter, da Netflix.

  1. Todos os serial killers são reais e as entrevistas com eles aconteceram de verdade;
  2. O caso da menina baliza assassinada é real e Douglas aplicou todas aquelas técnicas de interrogatório, inclusive a pedra usada no crime posicionada dentro da sala;
  3. Ford usava termos chulos durante algumas entrevistas para “falar a mesma língua dos assassinos”, como aquele diálogo com Richard Speck, o assassino das enfermeiras (mas se ele foi repreendido por isso, não conta no livro);
  4. A Unidade de Ciência Comportamental de fato inventou todos aqueles termos, como organizado/desorganizado e assassino em série.

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Sobre o autor

Brenda Bellani

2 Comentários

    • É bem provável, Ana!

      Eu achei muito interessante saber dos casos reais das entrevistas e também das análises de perfis em casos que eles ajudaram a solucionar, mas o livro é demorado e um pouco repetitivo. Eu recomendaria para pessoas que adoram obras de não ficção e de investigação criminal.

      Obrigada por ler! <3

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