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Como falar com garotas em festas

Lançamento de Como falar com garotas em festas, em Campinas

Fábio Moon e Gabriel Bá levaram um dia para topar a proposta de fazer a HQ Como falar com garotas em festas. É que, segundo eles, alguns projetos são irrecusáveis, como, por exemplo, adaptar um conto de Neil Gaiman. (Não só um dos autores mais conceituados da atualidade como também um ídolo dos gêmeos quadrinistas.)

Em turnê pelo país para o lançamento da HQ, lançada pelo Quadrinhos na Cia, selo de quadrinhos da Companhia das Letras, os dois passaram por Campinas no dia 31, para um bate-papo e sessão de autógrafos na Livraria Leitura do Shopping Dom Pedro.

O processo de criação

Como falar com garotas em festas é a adaptação para graphic novel de uma história com o mesmo título de Neil Gaiman publicado no livro de contos Coisas Frágeis. (Eu ainda não li a história original, apesar de estar disponível online aqui.)

A HQ levou aproximadamente dois anos para ser feita. Foram os próprios irmãos que traduziram o conto e levaram seis meses entre finalizar o roteiro e começar a desenhar, sempre passando primeiramente por aprovação de Gaiman. Depois, foram oito meses para desenhar e mais seis para colorir.

Se tivesse sido colorido no computador, teria levado no máximo dois meses, como apontou Moon, mas o livro foi inteiramente feito com aquarela. No entanto, como não tinham um prazo fixo para a entrega da HQ, levaram o tempo que acharam necessário para que ficassem satisfeitos com o resultado, afinal, “é o nome deles que estaria na capa”.

Apesar da colaboração entre os irmãos, quem se responsabilizou por toda a arte do livro foi Fábio Moon – diferente de Dois irmãos, desenhado por Bá.

Inspirações

Enn, protagonista de Como falar com garotas

Os dois se inspiraram em fotos do Google Imagens para criar o ambiente da festa nos subúrbios de Londres e também nas três semanas que passaram na cidade durante um verão anormalmente quente. “Talvez a visão seja diferente da de Gaiman, mas Londres no verão é assim para a gente”, diz Moon.

Já a inspiração para a criação do personagem principal, o Enn, veio de fotos do Neil Gaiman aos 15 anos – uma sugestão do próprio autor.

Como falar com garotas em festas

A história acompanha Enn e o seu amigo Vic, ambos com 15 anos, a uma festa em Croydon, no sul de Londres, cheia de garotas estrangeiras. Vic, diferente de Enn, logo que chega já se engraça com a mulher mais bonita da festa, deixando o amigo sozinho sem conhecer ninguém.

Enn é um cara sem jeito. Quando na presença de garotas, ele trava. Mas ele até que tenta. A cada menina que conhece, a cada diálogo, fica bem nítido que as garotas são de outro planeta. Literalmente. Uma delas, por exemplo, é um poema.

No melhor estilo nonsense de Gaiman, Como falar com garotas em festas segue o ponto de vista de Enn, um adolescente tímido e pouco experiente, de que mulheres só podem ser seres extraterrestres de tão peculiares e admiráveis.

Os desenhos de Moon, como sempre, são embasbacantes, principalmente os mais detalhados, como os que mostram os cômodos da casa onde a festa está acontecendo. Mas o que mais me agrada mesmo são os pequenos errinhos, se é que podem ser chamados disso, porque mais me parecem propositais. Como este braço borrado:

Desenho da HQ Como falar com garotas em festas

A sessão de autógrafos

O evento todo realizado pela Livraria Leitura do Dom Pedro foi muito organizado e pontual. Você chegava e já podia ir diretamente ao caixa comprar a HQ e pegar uma senha para os autógrafos. No entanto, só entrava no espaço reservado para o evento quem tivesse senha. Ou seja: você era obrigado a comprar o livro na livraria.

Depois do bate-papo, uma menina responsável pela organização ia chamando pelas senhas uma a uma e todos os presentes ganharam um pôster da HQ, que os gêmeos também autografaram.

(Clique na imagem para ver todas as fotos da galeria.)

(Fotos tiradas por mim e pela fotógrafa oficial da Livraria Leitura.)

Tradução de Daytripper

Eu aproveitei o momento em que autografavam meu exemplar para perguntar sobre a tradução de Daytripper, algo que me intrigava. A HQ foi lançada primeiro nos Estados Unidos; quando chegou ao Brasil, foi traduzida para o português por Érico Assis. (Eu falo um pouco sobre ele na resenha de Daytripper.)

Os gêmeos disseram que, como queriam agilizar a publicação da HQ no país, contrataram um tradutor profissional para que o trabalho ficasse pronto antes – algo que não aconteceria se eles mesmos tivessem traduzido, segundo eles. No entanto, os dois tiveram total liberdade de conversar com o Érico durante o processo e pedir alterações.

O Moon salientou, por exemplo, que o tradutor é do sul e eles são de São Paulo. Algumas expressões são bem diferentes entre as regiões e os dois solicitaram que fosse mudado tudo o que eles teriam feito diferente se tivessem escrito a obra em português – como trocar “mãe” por “mamãe”.

Sobre o autor

Brenda Bellani

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