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Estamos bem, de Nina LaCour

Estamos bem

Estamos bem, de Nina LaCour, além de ser uma das edições mais fofas do ano, também é uma história tocante sobre como uma grande decepção pode mudar a vida de alguém.

O livro, publicado pela Plataforma21 (selo da V&R Editoras) e traduzido por Regiane Winarski, é uma graça tanto na história quanto fisicamente – a capa, contracapa, o começo de cada parágrafo, papel, tudo. Fiquei encantada! A editora tá de parabéns!

(Eu amo quando as páginas são mais ásperas e o livro, mais maleável, flexível. Vocês também?)

“Existem muitas formas de estar sozinha.”

Estamos bem: edição linda

O romance young adult é uma leitura muito rápida e fluida. São 221 páginas que você mal vê passar.

Marin acaba de terminar o primeiro semestre da sua graduação em Nova York. Enquanto todos viajam para casa para passar as festas de fim de ano em família, ela consegue permissão para permanecer no alojamento, no quarto que divide com uma menina chamada Hannah. Marin não tem para onde ir, muito menos uma família esperando por ela.

Em alguns dias, ela vai receber a visita de uma amiga no alojamento, a Mabel, que está vindo da Califórnia, onde as duas moravam e estudavam juntas no colegial. Sabemos que as elas já foram bastante íntimas, mas se afastaram – e Marin parou de responder as mensagens da amiga.

Marin está praticamente sozinha no mundo. No entanto, mesmo quando tinha companhia, ela se sentia só. Porque existem muitas formas de estar sozinha.

Flashbacks

Estamos bem, Nina LaCour

Alguma coisa aconteceu no verão passado. Marin morava com o avô em San Francisco, a poucas quadras do mar. A sua mãe morreu afogada quando ela tinha apenas três anos. Por mais que tente, não consegue reviver nenhuma memória com a mãe e o seu vô não gosta de falar sobre a filha.

Cada um lidava com a ausência e o luto de uma forma diferente. O avô escrevia cartas para uma amiga (namorada?) que morava longe, chamada Birdie. Marin adorava ler livros e passava muito tempo com Mabel – os pais da amiga sempre foram acolhedores.

“Talvez a história tivesse vindo de uma parte de mim que queria saber mais, ou pelo menos ter lembranças reais em vez de sentimentos que podiam ser só invenção.”

Vamos descobrindo o que aconteceu no passado por meio de flashbacks enquanto acompanhamos a visita de Mabel em Nova York e as duas tentam reconstruir a amizade.

Com quantos personagens se faz uma história interessante?

Estamos bem é uma prova de que você não precisa de uma trama mirabolante nem de muitos personagens para construir um livro interessante. De maneira geral, todo o romance acontece entre três pessoas: Marin, seu avô e Mabel. Alguns personagens secundários aparecem aqui ou ali, como os pais da amiga, e são importantes para o desenvolvimento da história, mas essencialmente Estamos bem precisou de apenas três deles.

Hannah, a colega de quarto, não aparece de fato no livro. Ela só é mencionada por Marin e as suas coisas estão espalhadas pelo dormitório das duas. Mesmo assim, até uma personagem que não influencia diretamente na trama tem o seu papel importante, principalmente para ensinar sobre generosidade e compreensão.

Estamos bem é um livro sobre luto, depressão, decepção e recomeços. É um dos romances mais fofos que li este ano.

“Eu tinha afastado a dor. E a encontrava nos livros. Chorava pela ficção em vez de chorar pela verdade. A verdade era irrestrita, sem enfeites. Não havia linguagem poética nela, nem borboletas amarelas, nem inundações épicas. Não havia uma cidade presa embaixo d’água nem gerações de homens com o mesmo nome, destinados a repetir os mesmos erros. A verdade era ampla o bastante para se afogar nela.”

Destaques para duas cenas:

Estamos bem, Nina LaCour

Tem duas cenas no livro que eu gostei bastante. Numa delas, as amigas analisam o quadro “As duas Fridas” da Frida Kahlo, encontrando diferentes interpretações para ele (inclusive algumas que confessam como se sentem em relação à amizade delas); a outra é quando os pais de Mabel mandam-na trocar de roupa para ir a uma festa e Marin, que está usando um vestido exatamente igual, fica sem reação. É sutil, mas quebra o coração como a menina queria ter uma interação verdadeiramente parental, mesmo que fosse para levar uma bronca.

Ah, e o livro preferido de Marian é Cem anos de solidão. Legal, né?

Sobre o autor

Brenda Bellani

4 Comentários

  • oi brenda!
    eu simplesmente me apaixonei com esse livro e estou louca para saber o que acontece depois! você sabe se existe alguma continuação para ele?
    um beijo

    • Esse livro é muito fofo em todos os sentidos, né? Essa capa então! <3

      [SPOILER A SEGUIR]

      Mas não sei sobre continuação! 🙁 Acho que ela aceita ser adotada e o resto a gente imagina!

      Beijo, obrigada por ler e volte sempre!
      Brenda

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