Eu recomendo Livros

Sobre reler Harry Potter e a Ordem da Fênix

Harry Potter e a Ordem da Fênix 2

[Este post contém spoilers.]

Oitocentas e setenta páginas depois, eu não sei nem por onde começar a falar sobre Harry Potter and the Order of the Phoenix. Este, até agora, é com certeza o livro mais cheio de acontecimentos. Do ataque de dementadores em Little Whinging até a luta no Ministério de Magia, são tantas reviravoltas e evoluções na história que eu poderia ficar aqui, escrevendo por horas sobre cada detalhe: a casa em Grimmauld Place, os sonhos do Harry, os segredos de Hagrid, a Armada de Dumbledore, Cho Chang, as aulas de oclumência, o Rony de goleiro, Fred e George largando a escola, a lembrança de Snape na penseira, o Hospital St. Mungus, os testes de NOMs… E, claro, Dolores Umbridge. Possivelmente a personagem mais diabólica e detestável que eu já li.

“He thought she looked Just like a large, pale toad. She was rather squat with a broad, flabby face, as little neck as Uncle Vernon, and a very wide, slack mouth. Her eyes were large, round, and slightly bulging. Even the little black velvet bow perched on top of her short curtly hair put him in mind of a large fly she was about to catch on a long sticky tongue.”

Voldemort voltou em Harry Potter e o Cálice de Fogo. Mas só Harry e os Comensais da Morte presenciaram o seu renascimento. Fudge e todo o Ministério da Magia continuam a agir como se tudo continuasse como sempre a fim de evitar alarde entre a comunidade bruxa. O Profeta Diário publica matérias diariamente pintando Dumbledore de senil e Harry de louco, mentiroso e ávido por atenção e fama. Os seguidores do Lorde das Trevas continuam a andar por entre os bruxos livremente, como se nada tivesse acontecido.

Normalmente terríveis o suficiente, as férias na casa dos Dursley este ano são insuportáveis porque Harry é mantido completamente isolado do mundo mágico, sem informações sobre o desenvolvimento do retorno de Voldemort e sem saber que a Ordem da Fênix retomou suas atividades – um grupo de bruxos liderados por Dumbledore que luta conta o Lorde das Trevas e seus seguidores.

O mau humor de Harry Potter

Harry está possesso no começo de A Ordem da Fênix. De fato, durante quase o livro todo, ele tem acessos de raiva constantes, descontando várias vezes em quem está sempre por perto, ou seja, Hermione e Rony. Lembro que, quando li este livro pela primeira vez, achei-o muito chato e desnecessariamente revoltado. Apesar de concordar com Hermione (sempre, né?) de que ele não precisava ficar destratando os amigos, nesta releitura, me simpatizei muito mais com o mau humor de Harry. Eu também ficaria revoltada se fosse excluída de absolutamente tudo, sem saber de nada, como aconteceu com ele.

Se pensarmos seriamente na trama deste livro, Harry faz muita, mas muita burrada. Ao mesmo tempo, ele é obrigado a passar por tanta coisa desagradável e ninguém nunca parece se preocupar em explicar as coisas para ele. Dumbledore, tão sábio, preferiu ignorá-lo o ano inteiro. As suas intenções eram boas, mas não tinha como pedir para alguém simplesmente passar um mísero recadinho? “Olha aqui, é melhor ficarmos afastados por um tempo, porque o Voldemort é capaz de te possuir e ele vai querer te usar para chegar até a mim”.

A adolescência dos personagens

É só em A Ordem da Fênix, com todos os personagens já adolescentes, que J.K. Rowling começa a desenvolvê-los amorosa e emocionalmente. Gina arranja um namoradinho; Rony morre de ciúmes dela e também passa a dar pequenos sinais de ciúmes da Hermione. Harry dá o seu primeiro beijo e prova que não tem tato nenhum com o sexo oposto.

Gosto muito como a Gina começa a crescer neste livro. Ela era só uma garotinha tímida e agora passa a desabrochar como uma adolescente determinada e durona – pudera!, só assim para aguentar seis irmãos mais velhos.

Uma revelação pessoal

Eu não sou fã de fantasia. A série Harry Potter tem bruxos, lobisomens, vampiros, bichos-papões, gigantes, unicórnios e todo tipo de criatura mágica, folclórica e mitológica; e mesmo assim, de certa forma, tudo funciona e se encaixa perfeitamente. No entanto, percebo que se eu não tivesse lido a série na infância, dificilmente eu me interessaria por ela hoje em dia. Até correria o risco sério de julgá-la – como eu sei que acontece com muito adulto que não é Potterhead. O fato é que eu sempre fui uma defensora ferrenha dos livros de Harry Potter. Para mim, havia apenas dois tipos de pessoa: os Potterheads e aqueles que não sabem o que estão perdendo. Atualmente, acho que não conseguiria ser tão radical.

Ainda farei questão de defender a série e incentivar mais gente a lê-la, mas agora entendo que esse pode realmente não ser o tipo de leitura de algumas pessoas. Nada se compara à delícia de ler a série na infância ou adolescência (principalmente quando tínhamos que esperar ansiosamente pelo lançamento do próximo livro)!

Mesmo assim, vou continuar me emocionando com casos de pessoas que decidem dar uma chance ao Harry depois de adulto.

Considerações sobre a releitura de Harry Potter e a Ordem da Fênix:

Harry Potter e a Ordem da Fênix 1

  • A primeira vez que li A Ordem da Fênix, eu me emocionei muito. Desta vez, questionei muito mais do que me sensibilizei com a história.
  • Não me lembrava de como o Sirius age de forma infantil neste livro, permitindo que o Snape o tire do sério e colocando-se em perigo negligentemente. Muito menos não me lembrava do quanto ele é injusto com o Harry quando diz: “‘You’re less like your father than I thought,’ he Said finally, a definite coolness in his voice. ‘The risk would’ve been what made it fun for James.’”
  • O trecho da Molly chorando por causa do bicho-papão se transformando em seus entes mortos me quebrou o coração por saber o que acontece no sétimo livro.
  • Tem uma parte em que Sirius comenta que os avós de Harry o adotaram como um segundo filho quando ele fugiu de casa. Onde estão/o que aconteceu com os pais de James? Alguém se lembra de outra menção a eles nos livros anteriores? Eu não consigo me lembrar.
  • A reação de todos quando o nome Voldemort é dito em voz alta começou a me irritar porque acontece com muita frequência.
  • Eu não consigo for the life of me entender como eles ainda dão corda para as provocações do Malfoy! Ele é muito infantil e mesquinho.
  • Peguei-me pensando em como muita magia acontece bem debaixo do nariz dos trouxas e eles não notam nada. Para mim, essa é uma das várias sacadas geniais da Rowling ou até mesmo uma crítica de como coisas maravilhosas e inexplicáveis acontecem o tempo todo, disfarçadas de ordinárias. E a gente encontra sempre uma explicação racional para elas.
  • Dolores Umbridge é mais uma prova da genialidade de Rowling em construir personagens. Por trás das roupas rosas e felpudas, da voz fina e doce, e de um comportamento obsequioso, esconde-se uma mulher descontrolada, louca e completamente cruel.

  • Luna Lovegood finalmente surge na série. Não sou super afeiçoada a ela, mas a cena final, quando ela está procurando pelos pertences roubados, me faz sentir muita pena.

“Don’t worry. You’re just as sane as I am.”

  • Não entendi muito bem a importância de publicar a história real do Harry no Pasquim. Com certeza ajudou a convencer algumas pessoas de que ele estava falando a verdade sobre a volta de Voldemort, mas essa parte toda fica meio apagada na trama. Pareceu-me apenas uma artimanha para fazer com que Harry precisasse encontrar a Hermione no Três Vassouras durante o Valentine’s Day e provocar a briga com Cho.
  • Neville começa a crescer bastante na série. Conhecemos a sua avó e os seus pais, ele passa a se tornar cada vez mais valente, e também é revelado que ele poderia ter sido “o escolhido” se o Voldemort tivesse escutado a profecia completa.
  • Fred e George sempre foram os meus personagens preferidos. Depois destas releituras, tenho de confessar que ninguém supera a Hermione!

“’You… This isn’t a criticism, Harry! But you do… sort of… I mean – don’t you think you’ve got a bit of a – a – saving people thing?’ she said.”

  • É impressão minha ou o Chapéu Seletor diz que, enquanto Sonserina fica com alunos de sangue puro, Grifinória com os corajosos e Corvinal com os inteligentes, a Lufa-Lufa simplesmente fica com “o resto”?

Sobre o autor

Brenda Bellani

2 Comentários

  • Acho que dessa vez compreendi que talvez a parte Vold do HP tava deixando ele ainda mais nervoso. Fora todos os outros motivos bem plausíveis.

    Eu sou muiiiito potterhead, pra mim o mundo ainda se divide entre potterheads e gente louca, rs
    No Pottermore a Rowling conta que os pais do James foram pais tardios, e infelizmente ambos morreram antes dele.

    Não entendo bem como foi tudo isso, meio encavalado pelo jeito. Mas foi, Harry não tinha avós paternos. Só não sei o que foi dos pais da Lily. Acho q eles seriam melhores que a Petunia e cia..maaas..

    A Hermione, de fato, espetacular!! Melhor pessoa.

    Adoro o desenvolvimento da Gina, mas me deixa mais puta ainda com o filme. Senhor. Que ódio sinto.
    Tirar um plot importante do Harry, passar ele pro Rony com aquela Lilá. Ai. Vai me doer pra sempre.

    Você vai ver no enigma. rs

  • Hahahahaha Potterhead é um bicho intolerante! Ou gosta de HP ou é louco! Depois de terminar o sexto, eu tenho de admitir que não consigo entender como alguém possa ler e não gostar da série! Hahaha Rowling é gênio demais! <3

    Os pais da Lily também eram trouxas! Por que não com eles? Talvez também tenham morrido antes do Harry nascer.

    Menina, já nem me lembro do filme! Foi há tanto tempo que assisti, e até evito de ficar revendo porque eu sofro com essas mudanças desnecessárias! Qual foi a plot que mudaram?!

Deixe um Comentário