Guest Posts

Introdução ao mercado de HQs, por Ronan Maeda

Imagem: Flickr/morebyless

A convite do SLET, eis minha tentativa de escrever sobre algo que adoro: HQs.

Como o assunto é vasto demais, foi necessário demarcar uma limitação para o texto. Melhores obras? Recentes? Históricas? De iniciação? O caminho mais abrangente foi dar uma pincelada no mercado de quadrinhos.

Muitas pessoas associam HQs a super heróis, e isso tem um motivo, pois foram as editoras de heróis que praticamente começaram o formato (o primeiro Batman é de 1939) e, com o passar das décadas, os autores foram criando sua própria literatura nesse formato.

Este é um texto de fã, não acadêmico ou super aprofundado. Se o leitor se interessar por algum nome ou obra mencionada aqui, encontrará recursos vastos sobre o mesmo na internet. Minha premissa é que você tenha curiosidade sobre algum citado aqui e que isso te leve a ler as obras.

As quatro grandes editoras de HQs

As grandes editoras que têm seu nome mencionado quando olhamos para o primórdio são:

1. 2000AD

2000AD

Imagem: Chris Weston/Rebellion

Britânica que publicava vários autores, é dessa leva que houve a invasão britânica nos quadrinhos (Alan Moore, Neil Gaiman, Garth Ennis e outros), pois as editoras norte-americanas começaram a buscar talentos dessa fonte.

O personagem mais icônico da 2000AD é o Juiz Dredd.

2. DC Comics

DC Comics

Imagem: CinemaBlend

A “Detective Comics”, lar do Superman, Batman e mais centenas de personagens criou o selo “Vertigo”, destinado ao público adulto, e fez muito sucesso (com Constantine, Preacher, Y – O último homem, Scalped, Sandman e muitas outras obras).

Hoje o selo Vertigo tenta se reerguer mas sem o brilho e o talento dos artistas que um dia teve. A linha corrente da DC Comics para adaptação cinematográfica pertence a Warner, as séries Vertigo têm os seus direitos vendidos separadamente.

3. Marvel Comics

Stan Lee e Jack Kirby (mais Kirby que Lee…) pavimentaram o mundo de capas e colantes que conhecemos hoje junto a DC Comics. Homem-Aranha, Vingadores, X-Men e muitos outros (e bota muitos) são personagens que mesmo quem nunca pegou um gibi na mão conhece bem. A linha madura da Marvel atendia como “Marvel Max” e teve algumas obras interessantes como ALIAS (Jessica Jones), uma minissérie do Luke Cage e vários outros.

Na década de 70, após publicar uma série com papel de qualidade superior (um quadrinho da banda Kiss, para o qual os integrantes doaram sangue para ser misturado na tinta, aquela presepada de marketing que eles manjam bem), a editora viu que existia um público fiel que compraria edições especiais e queria tentar entrar nas livrarias, assim surgiram os planos e o nome “Graphic Novel”.

Os personagens da Marvel têm seus direitos cinematográficos divididos: Mutantes (Deadpool entra aqui junto com os X-Men) e Quarteto Fantástico são da Fox (como a Fox não detém direitos da Marvel nos quadrinhos e vice-versa, a Marvel, numa atitude bem pitoresca, praticamente ignora o Quarteto Fantástico hoje nas publicações e vem matando todos os X-Men…). Homem-Aranha é da Sony, e todo o resto que vemos no cinema é da Disney, que detém os direitos da Marvel (Homem de Ferro apareceu no filme do Homem-Aranha por acordo entre ambas).

A Disney não faz filmes que a gente possa considerar adultos, certo? Por isso todo filme que você vê nas telas é uma versão “adocicada” das HQs. Como ela lucra horrores com os filmes, as outras editoras seguem o padrão Marvel para cinemas.

O quadrinho mais vendido da Marvel atualmente é Star Wars, só pra gente ter uma ideia da força do cinema. Os personagens urbanos foram negociados com a Netflix, pois a Disney não queria fazer algo com maior violência.

4. Image Comics

Criada por uma debandada de artistas da Marvel (tendo à frente Todd MacFarlane, criador do Spawn, um dos títulos iniciais da Image), se antes era vista como uma editora com artes excelentes e roteiros fracos, hoje tem quem considere a “nova Vertigo”, atuando como uma cooperativa que mantém os direitos autorais ao artista. Spawn, The Walking Dead, Saga (de Brian K. Vaughan, autor de Y – O último homem, atualmente Saga é a “papa prêmios” dos quadrinhos), obras de Mark Millar e muitas outras autorais.

Cronologia e direitos autorais

O problema de fazer uma história decente, é que as editoras criam um universo compartilhado e seguem uma cronologia. Os artistas têm um limite muito estreito até onde podem chegar com a obra, um roteiro não pode chocar com o o de outro fulano, e deve respeitar tudo que ocorreu antes dele.

Mas existem obras que são fechadas e desconsideram qualquer elemento anterior (ou quase) e fazem o que bem entendem, não exigem uma leitura antes nem depois, se encerram em si mesmas.

As editoras são detentoras dos direitos autorais dos personagens e da obra, como uma gravadora, então após se lançar no mercado os artistas procuram espaço para publicarem suas obras no mercado literário onde possam ser os beneficiários de toda sua obra.

Digo que não existe quem não goste de HQs, seria como alguém dizer que não gosta de nenhum filme, ou nenhum livro do planeta. Na verdade, a pessoa pode apenas não ter encontrado a obra certa que desperte sua atenção.


Sobre Ronan Maeda: Fã de HQs.

Sobre o autor

Brenda Bellani

Deixe um Comentário