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Matéria escura, de Blake Crouch

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Jason Dessen vive uma vida boa e descomplicada. Ele mora em Chicago com a esposa Daniela, com quem é casado há 15 anos, e o filho Charlie, de 14 anos, e é professor em uma universidade local. Apesar de apaixonado pela mulher e satisfeito com suas escolhas, ele não deixa de se perguntar como teria sido sua vida se ele não tivesse abandonado uma pesquisa importante que estava fazendo na época em que Daniela engravidou, quando os dois ainda tinham apenas poucos meses de namoro.

Ele era uma promessa das ciências e ela, das artes, mas ambos deixaram de lado a ambição profissional para ter uma família feliz. E se ele tivesse se dedicado à carreira ao invés da vida pessoal?

Você é feliz com a vida que tem?

Jason não leva muito tempo para descobrir a resposta a essa pergunta. Voltando para casa numa noite comum, após encontrar um amigo que acaba de receber um importante prêmio de ciências, ele é abordado por um homem mascarado que o sequestra, leva-o para um local abandonado e o droga. Quando acorda, Jason está em um laboratório e todos o parabenizam por “ter voltado”.

Prontamente, ele percebe que algo de muito errado está acontecendo e não pode confiar em ninguém. A primeira pessoa a quem ele recorre é à Daniela, entretanto, nesta realidade, eles não são casados e não tiveram Charlie.

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“Este mundo não é meu.”

Matéria escura, de Blake Crouch, é um lançamento da Editora Intrínseca, traduzido por Alexandre Raposo. Narrada em primeira pessoa, a ficção científica norte-americana envereda pelo multiverso, decoerência, gato de Schrödinger, teoria dos jogos, dilema do prisioneiro…

A vida de Jason é virada ao avesso. Quando acorda após o sequestro, ele é um físico famoso e premiado, com um trabalho excepcional e uma legião de admiradores. No entanto, nesta realidade, ele não tem família. Ele e Daniela terminaram o namoro há muitos anos.

Por ser físico, Jason é um homem pragmático e racional. Mesmo com a insanidade que acontece com ele, aos poucos, chega à conclusão de que este mundo não é o seu e, para não enlouquecer, tenta entender e resolver uma coisa de cada vez.

“Afasto esse medo, voltando ao meu novo mantra. Não tenho direito de pensar que estou louco. Só tenho direito de resolver este problema.”

Escolhas

E se a cada decisão que você tomar, outros mundos surgirem? Por exemplo: você está prestes a decidir qual curso prestar e fica entre direito e jornalismo, mas decide-se pelo primeiro. E se em outro mundo você escolheu o jornalismo e existir uma versão diferente de você?

Esta é a proposta principal de Matéria escura, um livro bem, bem louco, escrito na medida certa para uma adaptação cinematográfica – não é à toa que o livro já vendeu seus direitos para o cinema. Cheio de ação e revelações, o leitor fica entretido o tempo todo durante a leitura.

A ideia do livro é excelente e me deixou de boca aberta em alguns momentos. A teoria do multiverso me interessa muito e, por mais louca que pareça, chega até a ser plausível (se você se permitir acreditar). A história de Jason também revela o valor da família e dos vínculos amorosos que construímos durante a vida – e é exatamente isso que o mantém são e obstinado durante sua realidade frenética, mesmo quando as coisas mais absurdas acontecem.

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No entanto, pequenos detalhes me incomodaram um pouco na leitura. Achei que Daniela, Amanda, a psicóloga do laboratório onde ele acorda, e principalmente Charlie poderiam ter sido melhores construídos. Obviamente consigo entender o apego do protagonista à sua família, mas achei a esposa e o filho um pouco sem ação. Na mesma situação, eu com certeza teria feito inúmeras indagações enlouquecidamente.

[COMEÇO DE UM SPOILER] E quando se reencontram, com tantas coisas para serem explicadas e compreendidas, Jason e Daniela se preocupam mais com o fato de terem transado com versões diferentes deles mesmos. Achei isso bem cara de diálogo de filme mesmo – fútil, mas que acaba fazendo sentido para apimentar a trama. [FIM DO SPOILER]

Eu consegui descobrir uma das revelações logo no início e não gostei de alguns rumos que a trama tomou, mas, no geral, Matéria escura é um livro interessante. Faz com que pensemos bastante sobre nossa vida e na possibilidade de outras versões de nós mesmos. Será que seríamos mais felizes em outra realidade ou deveríamos ser gratos pelo o que temos?

(A edição com capa dura da Editora Intrínseca está maravilhosa!)

Trechos de Matéria escura

“É a grande beleza da juventude. A ausência de peso que a tudo permeia porque ainda não houve nenhuma escolha errada, nenhum caminho tomado, e a estrada que se bifurca num ponto adiante é cheia de puras e ilimitadas possibilidades.”

“Sem todos os acessórios de personalidade e estilo de vida, quais são os componentes fundamentais que me fazem ser quem sou?”

P.S.: Gostaria de colocar mais trechos interessantes do livro aqui, mas talvez eles fossem revelar pontos importantes da trama. Tentei ao máximo segurar as informações para não estragar a sua leitura!

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Sobre o autor

Brenda Bellani

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