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O balanço vazio, de Juliano Schiavo

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O balanço vazio, de Juliano Schiavo, é um romance brasileiro com publicação independente, narrado em terceira pessoa e ambientado parte em Americana, no interior de São Paulo, cidade natal do autor, e parte em Minas Gerais, na cidade de São Roque de Minas.

O protagonista, André, no início, está passando por um dilema existencial. Triste por natureza, ele resolve terminar com a namorada, Fernanda, por quem era muito apaixonado. À procura de um lugar para colocar as ideias em ordem e espairecer, ele resolve ir a um Retiro do Silêncio, em MG. O leitor não sabe por que Dé, como é conhecido, sofre tanto. Com o passar do livro, vamos entendendo aos poucos, com flashbacks, a sua relação com a namorada, os motivos para sua constante aflição e também porque ele é tão sozinho.

“Às vezes, quando analiso bem certas coisas, percebo que estamos sempre repletos de dilemas. Mas o que é pior é a sensação de estarmos indefesos diante deles.”

Em São Roque de Minas, André conhece um grupo variado de pessoas. Atormentadas por diferentes preocupações existenciais, todas elas viajaram para o local com um mesmo propósito: o autoconhecimento. O balanço vazio é uma leitura bastante introspectiva e sentimental, cheia de conversas longas e entranháveis.

Dilemas da vida
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“Deixou Fernanda sozinha, a vê-lo desaparecer lentamente por entre o caminho envolto por árvores, cujo chão, de terra batida, deixava apenas escapar o som de passos abafados pelas folhas caídas. O balanço, ao lado de Fernanda, mais uma vez ficou vazio, balançando triste.”

Todos os diálogos do livro são filosóficos, profundos, íntimos e significativos, o que acaba por torná-los um pouco cansativos. Schiavo escolheu retratar diferentes tipos de aflições e temas importantes em um só livro: o luto, a bissexualidade, o câncer, a relação entre pais e filhos, a maternidade, o amor, o casamento, o suicídio, a culpa, o divórcio…

André é abordado por todas as pessoas que estão se hospedando no Retiro, em momentos distintos. Cada uma delas precisava de uma conversa franca, para se livrar de algum tipo de angústia, e viram em Dé uma figura segura e acolhedora.

Estranhei a forma com que todo mundo confia automaticamente no André e em dois dias ou menos já desabafam os seus segredos mais profundos e bem guardados. Com certeza desabafar com um estranho, que não pode te julgar como alguém que te conhece intimamente, parece ser uma escolha sensata. Mas, no livro, isso acontece uma vez atrás da outra, com umas cinco pessoas confiando seus segredos a Dé.

“São as pessoas, com suas histórias, seus dilemas, suas dúvidas, suas necessidades tão prementes, suas palavras a serem ouvidas, sua ânsia por atenção, por afeto, por um sorriso… São as pessoas que me tornaram humano, que me fizeram desistir de me entregar ao silêncio. Encontrei nos outros a força que, ao menos, me fazia suportar a transpiração sem suor,  a música sem notas, a flor sem pétalas, a luz sem brilho: o vazio, essa sensação que me acompanha desde a infância.”

André seria aquele amigo que todo mundo tem: o psicólogo. Aquele que é procurado quando não estamos bem e que gosta de ouvir os outros e dar conselhos. Seria também o filosófico, cheio de frases de efeito e perguntas existenciais, com ar triste; e o introspectivo, que a gente tem que tirar de casa na marra.

Apesar de poderem ter sido maneirados um pouco na profundidade, gostei como os diálogos foram construídos com falas mais coloquiais, gírias e expressões. Foi interessante também reconhecer cenários narrados no livro, afinal, minha cidade é vizinha de Americana e eu conheço todos os lugares pelos quais André passou. Além disso, fiquei com vontade de conhecer São Roque de Minas!

Schiavo tem uma narrativa poética e bastante descritiva; ele se atenta aos mínimos detalhes da vida, de ser e existir. Acho que a mensagem principal de O balanço vazio é que todos nós temos nossos problemas e preocupações, nossas angústias e segredos guardados que nos atormentam, alguns maiores que outros. Uma pessoa pode parecer “normal” (e o que é ser normal?), mas no fundo estar sofrendo. Uma pessoa pode aparentar felicidade e por dentro guardar o luto, a decepção, o descontentamento ou a incerteza.

Fundo de Cultura

O balanço vazio foi publicado com o patrocínio do Fundo Municipal de Assistência a Cultura de Americana, um fundo direcionado a manifestações culturais e artísticas da cidade. Por isso, a sua venda é proibida. O meu exemplar foi concedido pelo Juliano, que presenteou o SLET com mais quatro livros para sorteios!

Sorteios!
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“Se sentir saudades de mim, enterre a folha e plante as sementes. Uma representa o fim e a outra, um novo recomeço. Como tudo deve ser.”

O SLET vai sortear quatro exemplares de O balanço vazio:

  • Dois exemplares pelo Facebook, neste link aqui;
  • Dois exemplares pelo Instagram, neste perfil aqui.

Para concorrer, basta seguir os passos listados na descrição do sorteio. Serão quatro vencedores! É necessário residir no Brasil. Os sorteios acontecerão no dia 27, segunda-feira de Carnaval. Os ganhadores serão anunciados pelo Facebook e Instagram e têm quatro dias (sexta-feira, dia 3) para informar os dados pessoais para o envio do livro.

Sobre o autor

Brenda Bellani

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