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O escultor, de Scott McCloud

O escultor, de Scott McCloud

Na graphic novel O escultor, David é um escultor jovem e falido, sem família, namorada ou carreira consagrada. A arte é tudo que lhe resta. E ele daria a vida para fazer seu nome ser reconhecido… Literalmente.

Ele perdeu pai, mãe e irmã; mal tem dinheiro para pagar o aluguel. A única pessoa que sobrou na sua vida é o seu amigo de infância, Ollie, que trabalha como empresário artístico (e namora um jovem que também é escultor e concorre com David).

No dia do seu aniversário de 26 anos, David está na merda, enchendo a cara sozinho em uma lanchonete qualquer, quando o seu tio-avô Harry aparece do nada e senta-se à mesa com ele. Os dois conversam sobre o sentido da vida. Se não deu certo com a arte, porque não levar uma vida comum como qualquer outra pessoa?

Acontece que o escultor prometeu ao pai que faria seu nome ser reconhecido – além de ser extremamente orgulhoso e ter jurado a si mesmo que nunca aceitaria nada de ninguém. O problema é que existem centenas de outros David Smith no mundo. Ele é só mais um como qualquer outro.

Então, Harry – que é mais do que um tio-avô – faz uma proposta: trocar a sua vida pelo dom de transformar tudo em que tocasse. David tem 200 dias para atingir o seu objetivo e então morrer.

O escultor topa.

A vida pelo reconhecimento

O escultor, de Scott McCloud

David é bem loser. Não leva jeito com as mulheres, não aceita a opinião e a ajuda sinceras de Ollie – que é a única pessoa no mundo que se preocupa com ele – e percebe que mesmo sendo capaz de moldar cimento, ferro e granito (e até as suas próprias feições) apenas ao toque, ele não sabe muito bem como se sobressair.

Muito menos espera acabar se apaixonando nestes 200 dias, mas é o que acontece. Meg quer ser atriz, mas trabalha de entregadora enquanto não consegue nenhum papel relevante. Ela faz parte de uma companhia de teatro, e é graças a um flashmob organizado por eles que ela e David se conhecem.

A jovem tem uma queda por casos perdidos. O escultor acaba sendo mais um dos seus acolhidos. Ela reencontra-o na rua e o traz para casa. Quer ajudá-lo a ficar bem, no entanto, deixa claro que não vai se envolver com ele (inclusive, tem namorado). Apesar de estar sempre disposta a ajudar, ela também tem momentos fortes de depressão.

Para agravar, David não pode revelar para ninguém sobre o seu pacto.

O que é arte?

O escultor, de Scott McCloud

O escultor é uma HQ de Scott McCloud, publicada no Brasil pela Jupati Books e traduzida por Érico Assis (não diga!). A graphic novel é muito bem-humorada, apesar de trazer discussões mais sérias sobre tempo, satisfação pessoal e propósito de vida.

Mas a pergunta que não quer calar durante toda a leitura é: o que é arte? O que significa ser relevante? Pelo que vale a pena ser reconhecido em vida e relembrado após a morte? A resposta, como muita coisa, é subjetiva. David leva um tempo para perceber isso. E também para entender que fama não é tudo, principalmente quando você já sabe o dia da sua morte.

Falando em arte, gosto muito dos tons cinzas azulados (ou seriam azuis acinzentados) da HQ, principalmente quando o quadrinista mantem o primeiro plano em preto e o restante em azul e desfocado.

P.S.: A HQ tem duas referências meio escondidas a Clube da Luta. Você conseguiu encontrá-las?

Trechos de O escultor

(Clique na imagem para ver todas as fotos da galeria.)

Sobre o autor

Brenda Bellani

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