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O mito da beleza pelo mundo, por Fernanda Toyomoto

O mito da beleza pelo mundo, por Fernanda Toyomoto

Olá, leitores do SLET!

Quando a Brenda me fez o convite para escrever aqui, logo pensei em compartilhar o último livro que li e que me fez ter um novo olhar: O Mito da Beleza de Naomi Wolf, de 1991.

O livro aborda a temática da beleza, porém de forma mais profunda, com dados estatísticos, onde a autora analisa a beleza como algo ditado por um sistema.

Isso dialoga muito com uma experiência que eu tive. Morei na Índia durante um ano, um dos países considerados mais machistas do mundo. Trabalhava com uma equipe de 35 homens, onde eu era a única mulher.

“Por que somente eu de mulher no escritório?”

Naomi diz em seu livro que tudo começa a se transformar quando a mulher decide que ela não precisa ficar em casa, cuidando dos filhos e que ela pode, sim, trabalhar. Esse foi um dos meus primeiros questionamentos ao chegar na Índia: por quê somente eu de mulher no escritório? Perguntei para o meu chefe e ele disse que na Índia as mulheres se casavam muito jovens e por isso paravam de trabalhar por volta dos 24 anos.

O mito da beleza, de Naomi Wolf (1991)O Mito da Beleza fala sobre como há pressão na sociedade em ser magra e ter uma aparência sempre jovial. É interessante pensar que isso depende muito da referência que você tem. Na Índia, por exemplo, eles valorizam mulheres com mais curvas.

Essa beleza ditada por um sistema é fruto da cultura, religião e economia. No livro, Naomi discute sobre a obrigação de sempre ser jovem, dos produtos antirrugas e que muitas vezes não funcionam. Na Índia me deparei com um fato muito interessante, as prateleiras dos supermercados eram repletas de produtos para clarear a pele, pois eles valorizam muito a pele clara.

Outro fator é a sexualidade feminina, Naomi descreve como um tabu na sociedade e na cultura indiana não seria diferente. Lá, as mulheres quando estão menstruadas são consideradas impuras, sujas e até mesmo amaldiçoadas, uma pesquisa revelou que 1 a cada 5 meninas deixam a escola por vergonha da menstruação. Quem pensa que isso atinge apenas as camadas mais pobres, se engana, esse tabu atinge todas as classes sociais.

O mito da beleza e a objetivação da mulher

Naomi em seu livro fala, também, da objetivação da mulher, onde ganham menos dinheiro que homens pelo mesmo trabalho e sofrem preconceito por sua aparência física e comportamento social.

Na Índia, eu tive essa sensação de ser um alvo objetivado. Por ser brasileira, era vista como diferente. As pessoas me encaravam, ficavam me olhando, queriam tirar fotos.

Nesse contexto, o livro se divide em sete capítulos: o primeiro a mulher deixa o lar para trabalhar, o segundo fala sobre o trabalho, o terceiro sobre a cultura, o quarto sobre religião, o quinto sobre sexo, o sexto sobre fome, o sétimo sobre violência e o capítulo conclusivo sobre métodos de resistência à indústria da beleza.

É um livro que vale muito a pena ler e se eu voltaria para a Índia? Definitivamente sim, ambas as experiências me fizeram ter um novo olhar sobre a realidade.


Fernanda Toyomoto, Blog Japa ViajanteFernanda Toyomoto, 26 anos, jornalista por formação, japa viajante por opção e apaixonada por café. Mestiça filha de mãe brasileira e pai japonês, o mix cultural sempre esteve presente desde a sua maternidade. Talvez seja por isso que descobrir novos horizontes, novas pessoas, novas culturas, novos cheiros, novos sabores a fascina tanto. Já morou na América Latina, Europa e Ásia. O lugar que ficaria para sempre? Não sabe, mas para ela casa é onde o seu coração está. Atualmente mora em São Paulo, autora do Blog Japa Viajante, onde compartilha suas experiências pelo mundo.

Sobre o autor

Brenda Bellani

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