Especial Evento Literário

O que são zines?

Zines 1

No último sábado de manhã (05), a Biblioteca de Americana recebeu uma Oficina de Zines gratuita, organizada pelo grupo Americanazine e ministrada por Isa Whitaker e Henrique Nunes. Você sabe o que é zine?

Oficina de Zines

O público da Oficina era modesto (como infelizmente acontece com muita coisa cultural aqui pela região), mas interessado. O workshop foi dividido em uma parte teórica e outra prática.

Primeiramente, a Isa explicou um pouco sobre a história e o significado das zines; e o Henrique mostrou algumas técnicas artísticas que podem ser utilizadas e a estrutura básica (grid) no programa InDesign para montar as zines.

Depois, os participantes puderam produzir uma zine própria.

Zines 3

O que é zine?

As zines são revistinhas independentes e não profissionais com diversos fins. O termo zine veio de fanzine, aglutinação de fan magazine – literalmente “revista de fãs” –, inicialmente popularizada como um meio de divulgação de trabalhos artísticos, literários, musicais ou de qualquer cultura particular, de fãs para fãs.

A primeira zine de que se tem conhecimento foi publicada em 1929 nos Estados Unidos para divulgar um trabalho de ficção científica. No Brasil, a primeira delas surgiu com o mesmo propósito, em Piracicaba, interior de São Paulo, na década de 70.

O objetivo das zines

Nas pontas, Isa Whitacker e Henrique Nunes, que ministraram a Oficina de Zines; no meio, Jefferson Souza e Miguel Rodrigues, idealizadores do Americanazine.

Como deixou de ser apenas uma publicação feita por fãs e passou a ser um meio mais autoral e expansivo, ela virou apenas zine.

Com ela, você pode publicar o que quiser e com qualquer objetivo – desde divulgar suas poesias, ilustrações, contos ou a sua banda até informar sobre o veganismo, o feminismo ou qualquer outro assunto.

Para a Isa, por exemplo, formada em Artes Plásticas, foi uma forma de divulgar o seu trabalho. “A zine foi também uma forma de explorar a minha poética”, relembra. “Basicamente, eu faço ilustração, o meu forte é desenho. Eu estava com pouca grana e as pessoas não têm o costume de comprar produtos artísticos, e ilustrações são mais caras. A zine não.”

Experimentação

Para ser zine, basta ser uma publicação independente e não oficial. Não existe medida, formato ou qualquer padrão definido.

“O intuito é ser mais caseiro possível. Não tem uma receita, ou certo e errado. É muito importante vocês se abrirem à experimentação. É um negócio seu. Não tem regra nenhuma”, disse a artista durante a oficina.

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Mesa de amostras de zines na Biblioteca de Americana.

De fato, na mesa com amostras de zines na Biblioteca podíamos ver exemplares de todos os tamanhos, formatos, cores, papéis e propósitos.

Durante a apresentação teórica, Henrique mostrou alguns exemplos diferentes de zines para explicar também sobre a importância da identidade visual. Se você pretende criar uma série de publicações, pode recorrer a fontes, logos, cores e elementos visuais que reforcem o seu trabalho e a sua marca.

Mas, na real, não há um modelo certo. Uma das coisas mais legais da zine é que você tem toda a liberdade de experimentar e criar o que quiser.

(Eu, que infelizmente não tenho nenhuma desenvoltura artística, não terminei a minha zine durante a oficina, mas montei um esqueleto de uma publicação informativa meio metalinguística que eu gostaria de produzir ainda.)

O antes e o depois das zines

Nos seus primórdios, as zines eram feitas todas à mão e reproduzidas em mimeógrafos e depois em xerox, com uma proposta totalmente faça-você-mesmo (o popularizado DIY). A divulgação e a troca de publicações aconteciam pelos correios. O movimento era, e até mesmo ainda hoje continua a ser, independente e do cenário underground.

Atualmente, com a internet e todos os recursos eletrônicos, ficou mais fácil não só produzir as zines, em programas de design e edição e as impressoras, como também a sua divulgação por sites e redes. Tanto que hoje já existe até o termo webzine.

Afinal, a internet acabou com a essência independente e caseira das zines?

“Eu acho que veio para somar. Porque ao mesmo tempo que a galera está mais acostumada a ir sempre para a internet, eu ainda tenho muita necessidade de tocar no papel, e eu vejo isso pelas feiras que estão acontecendo pela região e pelo Brasil inteiro”, explica Isa.

Uma vez underground, sempre underground.

AmericanaZINE

No dia 19 de agosto acontece a quarta edição da feira AmericanaZINE, na Biblioteca de Americana, das 14h às 19h. O intuito é divulgar a cultura das zines e trazer o movimento para a região.

O rolê foi criado em 2013 e até hoje é organizado por Miguel Rodrigues e Jefferson Souza e alguns amigos, que mantêm a página Americanazine no Facebook. Os dois começaram a produzir suas publicações juntos, com ilustrações de um e textos de outro.

“A feira é um evento para receber zines de pessoas do país todo e um espaço para as pessoas da região expor e vender os seus trabalhos”, explica Miguel.

Visite a página oficial do evento aqui.

Exposição coletiva na Biblioteca de Americana

Alguns trabalhos da Isa estão expostos na Biblioteca de Americana até o dia 31 de agosto, juntamente com outras obras dos artistas Caio Henrique e Rodrigo Corrêa na exposição coletiva Americanazine.

A Biblioteca de Americana fica aberta das 9h às 18h de segunda à sexta.

Galeria de fotos da Oficina de Zines

(Clique para ver todas as imagens da galeria.)

Sobre o autor

Brenda Bellani

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