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Outros jeitos de usar a boca, Rupi Kaur

Tem várias formas de definir Outros jeitos de usar a boca: 1. Um livro de poesia feminista. 2. Um fenômeno de vendas, em sua 14ª edição no Brasil. 3. Ou (para mim) um toque na alma.

Indiana que vive no Canadá desde criança, Rupi Kaur é muito jovem, tem 25 anos, mas escreve como se tivesse muitas décadas. A verdade é que dá para viver muitas décadas em duas, principalmente se tratando dos traumas de ser mulher, um dos temas centrais de Kaur, sobre o qual ela escreve lindamente.

Quatro fases

Publicado no Brasil pela Planeta e traduzido por Ana Guadalupe, o livro é dividido em quatro partes: a dor, o amor, a ruptura e a cura. Kaur escreve sobre assuntos como relacionamentos amorosos, a relação entre pai e filha, término, sexo, maternidade, empoderamento feminino e aceitação.

Algumas poesias poderiam ser tornadas em orações. Tocam a alma, mexem com a gente e deveriam ser mantras pra ver se a gente aprende de vez a mensagem.

você precisa parar

de procurar um porquê

você precisa deixar quieto

 

Ou:

agradeço o universo

por levar

tudo o que levou

e por me dar

tudo o que está dando

 

Outras poesias doem. São assuntos bastante pessoais e às vezes me sentia como se invadisse a privacidade da autora; ao mesmo tempo, conseguia me identificar com muita coisa. Aí que está a beleza de Outros jeitos de usar a boca (Milk and Honey, no original): Rupi Kaur escreve sobre as mulheres e para as mulheres, portanto, é como se entrássemos em um mundo compartilhado.

Mas se engana quem pensa que esse livro não pode ser lido por homens. Deveria ser uma obrigação, na verdade. Pra conhecerem e entenderem um pouco mais sobre os traumas femininos.

nenhum de nós está feliz

mas nenhum de nós quer desistir

então continuamos nos machucando

e chamando isso de amor

 

Sem regras

Outros jeitos de usar a boca, Rupi Kaur

Kaur não pontua suas poemas e só usa minúsculas. Li em uma matéria que foi a forma que encontrou de homenagear a escrita punjabi, língua indo-ariana natural de Panjabe, na Índia, na qual não há distinção entre letras e só se usa ponto final.

Os desenhos presentes na obra também são de autoria dela.

Trechos do livro

(Clique na imagem para ver todas as fotos da galeria.)

Sobre o autor

Brenda Bellani

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