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Parati para mim, de Mattoso, Cuenca e Nazarian

Paraty para mim - Flip 3

Encontrei um exemplar de Parati para mim, da Editora Planeta, no aeroporto de Porto Alegre, em uma daquelas feirinhas de livros por apenas 10 reais, enquanto esperava nosso voo para casa. Entrei resoluta a não comprar nada (afinal, a minha pilha de livros não lidos há muito saiu do meu controle), mas não resisti à capa dura e guarda com mapas de Paraty. Justamente desta cidade pela qual sou apaixonada por causa da Flip.

Nunca tinha escutado falar desse livro antes. Ele é de 2003, ano em que era lançada a Festa Literária Internacional de Paraty, mais conhecida como Flip. A proposta da editora, com o apoio da organização da Flip, foi a seguinte: convidar três escritores brasileiros contemporâneos para passar duas semanas em Paraty e, no final deste período, eles deveriam ter escrito um conto ambientado na cidade.

Paraty para mim - Flip 1

Os convidados foram Chico Mattoso*, João Paulo Cuenca e Santiago Nazarian, que na época tinham, respectivamente, 25, 24 e 26 anos de idade. A própria introdução brinca com estes números, salientando que, juntos, eles somavam apenas 75 anos enquanto Paraty tinha mais de 330 na época.

Sobre personagens e tramas similares

Os três escritores combinaram de manter suas narrativas em segredo um do outro. O mais curioso é que os contos têm vários elementos parecidos além da ambientação. Seus personagens são solitários e estão com o coração partido; os três decidem visitar Paraty para procurar respostas ou confrontar algum problema relacionado ao amor perdido.

A introdução faz questão de falar sobre esta ironia:

“Sem sabê-lo, os três criaram personagens solitários, em crise, purgando amores extraviados e fazendo da passagem pela cidade um momento de confronto com seus próprios fantasmas.

Isto, para mim, é peculiar. Os personagens são introspectivos e, no momento em que as histórias se passam, desesperados e desesperançados. Foi Paraty que conseguiu, de alguma forma, inspirar a mesma ideia nos escritores ou os três têm estilos de escrita parecidos?

A Paraty dos contos

Paraty para mim - Flip 2

Vários elementos em comum aparecem nas três narrativas, como as ruas de pedras do centro histórico, as praias e a rodoviária. Mesmo assim, achei que a cidade foi pouco explorada pelos escritores. Mattoso foi quem conseguiu utilizar mais características de Paraty em seu conto – incluindo, inclusive, os índios que vendem cocares pelas ruas.

Já Nazarian foi quem fugiu um pouco mais do comum; criou uma personagem feminina e narrou a história em formato de quarta.

Parati para mim é um livrinho de apenas 118 páginas, super rápido de ler – melhor ainda se você conhece a cidade. Mas, honestamente, os contos não me despertaram a curiosidade de procurar outras obras dos autores.

Você conhece o trabalho de algum deles? Recomenda?

Os autores

Mesmo assim, fui pesquisar um pouco sobre cada um deles.

Chico Mattoso é escritor, tradutor e editor. Ele tem também as obras Longe de Ramiro (2007), finalista do Prêmio Jabuti, e Nunca vai embora (2011), respectivamente publicados pela Editora 34 e Companhia das Letras. Ele também co-traduziu Pulphead, de John Jeremiah Sullivan, com Daniel Pellizzari – que, inclusive, mediou a mesa da Flip que eu assisti em 2016.

João Paulo Cuenca é autor e cineasta. Ele tem quatro romances publicados: Descobri que estava morto (2015), O único final feliz para uma história de amor é um acidente (2010), o dia Mastroianni (2007), e Corpo presente (2003 e republicação em 2013). Os seus livros já foram publicados em vários países diferentes, como Argentina, Portugal, França, Alemanha, Suécia e Romênia.

Em 2015, lançou o filme A morte de JP Cuenca, escrito, dirigido e estrelado por ele (interpretando ele mesmo). O longa baseia-se em uma história real em que encontraram a identidade de Cuenca junto a um corpo de um homem morto em um edifício ocupado no centro do Rio de Janeiro.

Santiago Nazarian lançou oito livros entre 2003 e 2014. O seu próximo romance, Neve negra, será lançado pela Companhia das Letras ainda em 2017 e já tem os direitos vendidos para o cinema. Saiba mais sobre ele em seu blog pessoal, Jardim Bizarro.

Depois de pesquisar sobre os três, obviamente, fiquei com vontade de ler vários livros publicados por eles.

Leia os posts do SLET sobre a Flip

*Mattoso na verdade é nascido em Paris.

Sobre o autor

Brenda Bellani

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