Eu não recomendo Livros

Piano vermelho, de Josh Malerman

Piano vermelho, Josh Malerman

Piano vermelho é o segundo romance de Josh Malerman, autor do ótimo Caixa de pássaros – que está sendo adaptado com Sandra Bullock no elenco. No entanto, diferente de seu primeiro terror, este não convence tanto.

O livro foi publicado no Brasil pela Editora Intrínseca e traduzido por Alexandre Raposo.

Philip Tonka é pianista. Ele é líder da banda The Danes, que alcançou fama razoável em Detroit onde ele e os outros quatro integrantes da banda moram e possuem um estúdio. Eles serviram juntos na Segunda Guerra Mundial como banda do exército. Todos voltaram marcados pela vida militar.

Por isso, quando o secretário Mull os aborda na cidade para fazer uma proposta quase irrecusável de servir novamente, os Danes ficam desconfiados: viajar para o deserto do Namibe para descobrir a origem de um barulho que desarma até bombas nucleares por cem mil dólares para cada um.

Parece tentador, mas ao ouvir uma gravação do som, a banda percebe que não será tão simples assim. As ondas desta “melodia” tem poder de destruição. Quem a escuta começa a passar mal imediatamente, a ter dores físicas, vomitar, se machucar, etc.

Philip, que não tem muito propósito na vida, resolve aceitar a oferta e os seus colegas de banda acabam convencidos.

Seis meses depois…

Philip acorda em um hospital após passar seis meses em coma. Ele foi trazido com todos os ossos do corpo quebrados. Ao despertar, apesar de não conseguir se mexer, ele se recupera a uma velocidade fora do normal e é ajudado por uma jovem enfermeira, Ellen, que começa a se afeiçoar por ele.

O pianista não sabe onde está localizado o hospital, como foi parar lá, muito menos o que aconteceu com o resto da banda. Aí começam a acontecer algumas coisas muito sinistras…

Um som enlouquecedor

Piano vermelho, terror norte-americano

O autor deve ter se sentido mais na sua área para escrever este livro, porque, antes de se arriscar na carreira literária, Malerman já era músico e compositor, e até hoje toca na banda de rock The High Strung. É por isso que eu gostei das partes do livro em que ele descreve a vida da banda em Detroit e a rotina de estúdio deles, porque soaram naturais. Talvez o livro tivesse sido mais interessante se a proposta fosse menos pretensiosa – um livro sobre uma banda e não um romance de terror.

Mas não é isso que acontece. Malerman envia a banda inteira para o deserto do Namibe a fim tentar achar a fonte de um som enlouquecedor. E por que uma banda? Porque outros pelotões foram enviados ao local e não obtiveram sucesso. Os Danes foram escolhidos exatamente por serem músicos, e talvez, sejam mais bem-sucedidos na captura do som do que meros militares.

“É o som, ele sabe que o som está ali. Mas não o escutou, não perfeitamente. É uma ondulação de algo mais fino do que o som, talvez o espaço que o som precisa para alcançar seus ouvidos. Philip retém uma imagem vívida daquilo ao rolar para o lado e mergulhar a cabeça na água.”

Enquanto se recupera, no presente, vamos acompanhando as lembranças de Philip sobre o que aconteceu no deserto. A primeira metade do livro me manteve bem entretida e eu estava ansiosa para saber o que significava aquele som maligno.

Mas, depois da chegada ao deserto, o livro começa a desandar. Achei a trama apressada e desconexa, e o final decepcionante.

Sentidos

A Editora Intrínseca caprichou no pacote enviado aos parceiros.

O mais legal nos dois livros de Josh Malerman é que ele “brinca” com os nossos sentidos para criar o terror da trama. Em Caixa de pássaros era a visão – se você não resistisse à tentação e abrisse os olhos, enlouquecia; em Piano vermelho, é a audição!

“Ao longo do tempo as coisas mudam, roupas, modo de falar, linguagem e armamentos, mas não os motivos, o significado e a música que a guerra produz.”

Esta é a melhor parte do livro: o medo do desconhecido. De saber que quando o som aparece do nada, não há como se proteger, da mesma forma que precisar fazer absolutamente tudo de olhos vendados sem entender exatamente o que causava a loucura era a parte mais aterrorizante do seu primeiro romance.

No entanto, tive a impressão de que Piano vermelho foi escrito nas medidas certas para ser transformado em um roteiro cinematográfico. Frases curtas, ritmo frenético, repetições.

Este não me convenceu muito, não…

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P.S.: Para mim, Piano vermelho tem dois furos bem sérios:

  1. Os personagens seguem pegadas no deserto, algo praticamente impossível, uma vez que o vento as encobre em questões de segundos, e é uma das principais razões de ser tão fácil se perder no deserto.
  2. Como é que Philip conseguiu reencontrar o lugar no deserto com tanta facilidade?

Sobre o autor

Brenda Bellani

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