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Sobre Battle Royale (e porque Jogos Vorazes não é a distopia mais original do mundo)

Battle Royale

Olá pessoal que lê o SLET, tudo bom? Antes de mais nada, deixo aqui um coraçãozinho para a Brenda, que além de me emprestar, ainda me deixou resenhar essa belezura de livro que é Battle Royale. <3 Obrigada sua linda!

Agora, “começando os trabalhos” por assim dizer… Imagine o seguinte cenário: Uma sociedade regida por um governo totalitário que anualmente coloca jovens para lutar uns contra os outros até que reste apenas um.  Isso lhe soa familiar? Não. Eu não estou falando de “Jogos Vorazes”. E se eu te contasse que Battle Royale foi escrito por Koushun Takami (e publicado!) muito antes da saga criada por Suzane Collins sequer ser um rascunho?

Pois é. Desculpe estragar a sua alegria. Jogos Vorazes pode ser a distopia mais famosa do nosso mainstream atual, mas não é a história distópica mais original da face da terra. Com essa afirmação não quero ofender nenhum fandom ou algo do tipo, mas algumas verdades precisam ser ditas.

“Nossa Gabi, que raiva é essa?” Calma lá! Não é raiva. Como boa amante de distopias, já vi muita gente deixar de ler ou assistir algo como, por exemplo, o seriado 3% (que é ótimo por sinal, assistam!) por ser “jogos vorazes demais”. Não me levem a mal. Embora a franquia de livros e filmes que virou fenômeno mundial na última década seja sim válida enquanto ficção distópica e apresente uma crítica totalmente coerente à glamorização da violência, governos totalitários e reality shows, ela não é a única história do tipo.

E digo mais: ela não deveria ser um empecilho para que você consuma outras obras similares.

Matar ou morrer

Seguindo a tradução livre de seu título para o português, Battle Royale é literalmente uma batalha real (no sentido de realística). Desde as primeiras páginas, ele já te mostra pra que veio e porque é sucesso (mas não tão grande quanto deveria) no mundo todo. E para surpresa de alguns, o livro inclusive foi fonte de inspiração para muitas outras obras modernas de ficção (como o próprio “Jogos Vorazes” e até mesmo os filmes “Kill Bill” vol. I e II), por ter sido publicado há – pasmem! – quase 20 anos.

A história gira em torno de 42 estudantes da turma B do nono ano (para quem é velho como eu, a saudosa 8ª série do fundamental) que é selecionada pelo governo da “República da Grande Ásia Oriental” para participar de um programa de pesquisa militar. Basicamente, os adolescentes são sequestrados e confinados em um local isolado para uma espécie de jogo, no qual o vencedor é aquele que for o último a permanecer vivo. É basicamente matar ou morrer.

Embora com a premissa bem semelhante ao “fenômeno” Jogos Vorazes, Battle Royale foca muito mais em como realmente se desenrolaria um jogo desse tipo se acontecesse fora da ficção. As situações típicas de uma excursão escolar com vários adolescentes mostradas logo no começo do livro, em poucas páginas dão lugar a um cenário visceral, cruel e sangrento que acompanhará o leitor até o final da história. Cenas completas de assassinatos e violência na sua mais pura forma permeiam todo o enredo. Vale destacar que não é bom se apegar a nenhum personagem em específico, pois você já sabe como será o final dele/a.

Crítica social

Battle Royale

Forte na crítica social, o livro levanta questionamentos quanto à ética, moral, religião, sexismo, natureza humana e o instinto de sobrevivência em situações nas quais a vida está em jogo. Ele também aproveita para abordar de forma sutil como a tecnologia pode ser usada para controlar os humanos e cutuca diretamente muitos estilos de governo que limitam e oprimem os cidadãos, mas são exemplares do ponto de vista socioeconômico (estatísticas de PIB, renda per capita, etc.) – algo que infelizmente já vivemos aqui mesmo no Brasil, com o golpe militar de 1964.

Se você é daqueles que não curte enrolação e descrição detalhada, pode com certeza ignorar o tamanho do livro (quase 700 páginas!). Num geral, a leitura é bastante rápida e a narrativa consegue te prender surpreendendo a cada parágrafo. Obviamente, para aproveitar bem a experiência, é preciso tirar da cabeça que toda distopia é uma versão de Jogos Vorazes e mergulhar na história livre de preconceitos.

Sugestão: não se prenda à situação, e sim às diferentes reações que os personagens têm diante do que estão vivenciando.

Banho de sangue

Com certeza Battle Royale é uma ótima indicação. Para quem curte uma boa distopia, cultura japonesa/oriental e filmes do diretor Quentin Tarantino (assim como eu!), esse livro é um prato cheio e não decepciona. E, para ajudar, a versão brasileira lançada pela GloboAlt foi traduzida diretamente do japonês por Jefferson José Teixeira.

Já quem gosta de analisar o comportamento humano também vai curtir a leitura. Mas fica o aviso: se você não é fã de violência extrema, tome cuidado! Durante vários momentos o narrador descreve um verdadeiro banho de sangue e os estômagos mais sensíveis podem ficar incomodados.

Bom, que eu gostei de Battle Royale e quero ele na minha coleção de distopias vocês não têm dúvida, não é? Mas quero deixar claro que o livro não é perfeito! Eu enxerguei sim alguns defeitos (como a enorme quantidade de personagens e nomes para assimilar) e pontos fracos, porém, nada disso foi suficiente para estragar a MINHA experiência. No final das contas, vale super a pena ler. Fica a dica para quem se interessou. Aqui no Brasil ele foi publicado pela editora Globo Alt e não é muito difícil de se encontrar em alguma livraria ou loja online.

Sobre o autor

Gabriela Morilia

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