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Sobre reler Harry Potter e as Relíquias da Morte

Relíquias da Morte 4

[Este post contém spoilers.]

Acabou. Depois de meses, concluí a releitura de toda a série Harry Potter. As Relíquias da Morte, sétimo e último livro, me encheu de sensações conflitantes – e muita nostalgia.

Com o ressurgimento de Voldemort e a morte de Dumbledore, Harry sabe que não poderá retornar à Hogwarts. Ele tem uma missão a cumprir, mesmo sabendo que é quase impossível e sem ter o mínimo de noção por onde começar. Hermione e Rony abandonam suas famílias e vidas para acompanhá-lo.

O trio acampa em locais diferentes, enquanto tenta descobrir por onde começar a procura pelas Horcruxes de Voldemort e também como destruí-las. Com o Ministério da Magia e Hogwarts tomados, eles precisam se manter escondidos e totalmente isolados do resto do mundo – Harry é o procurado número 1.

Boa parte da primeira metade do livro é meio arrastada. Da metade em diante, muita coisa acontece. Muita mesmo. Desde a invasão ao Gringotts (com a fuga em um dragão) até a famosa revelação do passado de Snape, J. K. Rowling esclarece todas as perguntas sem respostas.

Mesmo com todas as respostas a serem respondidas, ela ainda consegue introduzir mais um conflito à história. As relíquias da morte: a pedra da ressurreição, a varinha das varinhas e a capa da invisibilidade. Será que não passam de um conto infantil? Elas são mesmos verdadeiras? Será que o Harry deve procurá-las ao invés das Horcruxes?

Relíquias da Morte 3

E, por fim, acontece a fatídica e trágica Batalha de Hogwarts e o tão esperado e derradeiro duelo entre Harry e Voldemort.

O fim de uma era

A conclusão da série foi publicado há exatamente dez anos. Lembro-me onde e como eu o li – madrugada afora, deitada no chão da lavanderia do nosso antigo apartamento para não atrapalhar meu irmão, com quem eu ainda dividia o quarto, e também para poder chorar sossegada, sem que ninguém me interrompesse.

Com 19 anos na época, eu vinha acompanhando a série desde quase o início, lançamento a lançamento, e mal podia esperar para finalmente saber sobre todos os segredos bem guardados, mas, ao mesmo tempo, triste e com uma sensação de luto.

A última vez que reli As Relíquias da Morte foi em 2010, para assistir à adaptação, dividida em duas partes, no cinema. Agora, sete anos depois, eu não me lembrava de incontáveis detalhes da história!

Relíquias da Morte 6

O massacre de Rowling

Não consigo deixar de pensar que J.K. Rowling foi cruel neste último livro. Ela matou muitos personagens. Nem mesmo a pobre Hedwig e o servil Dobby foram poupados.

“Do not pity the dead, Harry. Pity the living, and, above all, those who live without love.”

No geral, todas as mortes se encaixam na história. Não acho que tenham sido em vão. Mas é inevitável sofrer com elas. A do Fred, por exemplo, meu preferido, eu não superei ainda. Chorei horrores na primeira vez e ainda dói ao reler.

Aí que está o poder de histórias e personagens bem construídos!

Relíquias da Morte 1

Revelações apressadas

Eu fiquei com uma sensação esquisita desta vez ao terminar, porque as últimas 100 ou mais páginas do livros têm informação demais em revelações apressadas. Como se Rowling tivesse “enrolado” por quase 600 páginas para depois desembestar a explicar tudo de uma vez só.

Espantei-me também como o duelo final acabou rápido demais, quase abruptamente, depois de tantas reviravoltas. Não gostei tanto da conclusão desta vez em comparação à primeira vez que a li.

E vocês? O que acharam do final da série?

Considerações sobre a releitura de Harry Potter e as Relíquias da Morte:

Relíquias da Morte 5

  • Sem Hermione, a melhor personagem de toda a série, o Harry teria morrido umas seis vezes.

“’You’re a genius,’ Ron repeated, looking awed.

‘Yeah, you are, Hermione,’ agreed Harry fervently. ‘I don’t know what we’d do without you.’”

  • Sinto de não termos acompanhado melhor o desenvolvimento do relacionamento entre ela e Ron, que dão o primeiro beijo apenas nas últimas páginas do sétimo livro.
  • Os bruxos se casavam bem jovens, né? Lily e James tinham 20 ou 21 quando tiveram o Harry; a Fleur também tinha a mesma idade ao casar com o Bill.
  • E eles também tinham mania de colocar nome nos filhos pra homenagear pessoas mortas. Albus Severus é de dar dó, coitado!
  • Sobre o Snape, a própria Rowling já disse tudo. Mesmo assim, recomendo este post do Sem Serifa muito bem explanado sobre o personagem e o problema de romantizá-lo e tratá-lo como herói, mesmo depois de ter sido um bully a série inteira.

Relíquias da Morte 2

  • Como Peter Pettigrew conseguiu ser selecionado na Grifinória?
  • Neville, em compensação, é o personagem com a melhor evolução da série e realmente merecia ser da casa.
  • A parte do dragão cego e preso em Gringotts me magoa profundamente! Mesmo que dragões não existam e mesmo que, se existissem, fossem feras feias e perigosas, a condição em que ele é mantido no banco é muito cruel e revoltante.
  • Aberforth vivia por perto sem ninguém saber e, de repente, no finalzinho do livro, todo mundo já o conhecia. O personagem poderia ter participado mais dos livros, mas a história sobre o passado de Dumbledore só foi desenvolvida no último livro.
  • Vocês já perceberam que, tirando o diário do Riddle, quando ele ainda nem sabia do que se tratava, o Harry não destruiu nenhuma Horcrux? Dumbledore destruiu o anel de Gaunt; Ron destruiu o medalhão da Sonserina com a espada de Godric Gryffindor (após salvar a vida de Harry); Hermione destruiu a taça de Helga Hufflepuff com a presa do basilisco quase no final do livro; a diadema de Ravenclaw foi destruída pelo fogo na Sala precisa; e, por fim, Neville matou Nagini.
  • O Harry, no entanto, precisou aceitar a morte e se entregar a Voldemort para destruir a última Horcrux, o que, convenhamos, exigiu muita coragem e altruísmo.
  • A sensação é que as pessoas, pelo menos as mais jovens, estavam contentes com o começo da batalha, por finalmente poder lutar. Teria sido ingenuidade delas?
  • Voldemort é o bruxo mais poderoso de todos os tempos, além de cruel e inescrupuloso, mas quando ele se une à batalha, não consegue matar ninguém? Tudo bem que ele duelava sozinho com três bruxos poderosos, mas mesmo assim… (E não me cola a desculpa de que ele não queria derramar mais sangue puro.)
  • Achei um pouco duvidoso o Harry, que estava fingindo de morto, conseguir escapulir para debaixo da sua capa sem ser notado por ninguém. Dezenas de pessoas observando a cena e ninguém viu que ele havia se mexido e ainda estava vivo?
  • Enfim… Me peguei questionando várias coisas que aconteceram no momento final da Batalha de Hogwarts, e eu adoraria que ela tivesse sido desenvolvida com mais detalhes e menos pressa, talvez se o resto do livro não se prolongasse tanto.
  • No geral, ainda amo a série de paixão! Não canso de repetir que J. K. Rowling é um gênio. E o terceiro e sexto livros ainda são meus preferidos.
Qual é o seu livro preferido da série Harry Potter e por que?

Sobre o autor

Brenda Bellani

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