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Sobre reler Harry Potter e o Enigma do Príncipe

Harry Potter e o Enigma do Príncipe 1

[Este post contém spoilers.]

Antes da releitura, Harry Potter e o Enigma do Príncipe era o meu segundo preferido da série. Depois de relê-lo, continuo achando ele um dos melhores – senão o melhor! Com certeza, é o mais revelador.

Agora que a volta de Voldemort não é mais nenhum segredo, Dumbledore começa a contar alguns segredos muito bem guardados e a responder perguntas que nos fazíamos desde o primeiro livro. Ele passa a dar aulas particulares ao Harry com o objetivo de prepará-lo com os conhecimentos e as armas certas para enfrentar o seu arqui-inimigo.

Finalmente, a história de Voldemort é revelada – sua família, infância, os anos em Hogwarts, a transformação em Lorde das Trevas, e o início da rivalidade com Dumbledore (que, aliás, está na sua versão mais atinada entre todos os livros, sem contar a sua paciência de Jó com as perguntas de Harry). Também aprendemos sobre a terrível magia das Horcruxes.

“Ah, Harry, how often this happens, even between the best of friends! Each of us believes that what he has to say is much more important than anything the other might have to contribute!”

Neste livro, o detestável Snape finalmente conseguiu o cargo de professor de Defesa Contra as Artes das Trevas, e as aulas de Poções passaram a ser lecionadas por Horácio Slughorn, que tem uma importância grande para a história do sexto livro. O Harry precisa usar uma versão antiga do livro para a aula de Poções e acaba com um exemplar todo anotado por um ex-aluno que se auto-intitulava The Half-Blood Prince (Príncipe Mestiço) – meio sangue puro, meio trouxa – que era um prodígio na disciplina e acaba ajudando Harry a se destacar.

Harry Potter e o Enigma do Príncipe 2

Durante o ano escolar, Harry fica obcecado pela ideia de que o Draco se tornou um Comensal da Morte e está trabalhando diretamente para Voldemort, mas não consegue convencer ninguém sobre isso.

Relacionamentos

Harry Potter é, definitivamente, literatura juvenil. Mas foram necessários seis livros para que o protagonista se envolvesse em um relacionamento amoroso de verdade. O foco da série não é nem de longe uma paixão entre personagens, algo bastante característico no gênero.

E mesmo quando começa a desenvolver os relacionamentos amorosos neste livro, J.K. Rowling consegue dar verossimilhança às cenas, desde o ciúme de Rony e sua briga com a Gina (uma parte que eu gosto muito no livro) até a luta interna do Harry por se descobrir apaixonado pela irmã de seu melhor amigo. São histórias secundárias, mas que dão um tom mais leve e até cômico a uma trama no geral bastante sinistra.

“’… Ginny and Dean split up too, Harry.’

Harry thought there was a rather knowing look in her eyes as she told him that, but she could not possibly know that his insides were suddenly dancing the conga.”

Tudo se encaixa (ou: J.K. Rowling é um gênio!)

Harry Potter e o Enigma do Príncipe 3

Eu me surpreendi com o tanto de detalhes que já não me lembrava mais deste livro! E olha que foi o volume que eu mais reli depois de O Prisioneiro de Azkaban. Foi muito legal relembrar o passado de Tom Riddle e os motivos para se transformar em Lord Voldemort.

Realmente, O Enigma do Príncipe é cheio de informação e tudo, absolutamente tudo se encaixa perfeitamente na trama. Como já comentei aqui e não me canso de admirar, a J.K. Rowling sabe lidar com um grande número de personagens extremamente bem construídos e com importância para a história, de uma forma ou de outra, e uma trama tão bem detalhada, cheia de acontecimentos secundários.

Da escolha do time de quadribol ao frasco de Felix Felicis, neste sexto livro, tudo tem um significado ou serve para conectar os fatos – algo que eu não senti, por exemplo, com A Ordem da Fênix. Até mesmo a morte de Aragog serve para conectar Harry, Hagrid, Prof. Slughorn e a memória preciosa da adolescência de Voldemort.

Considerações sobre a releitura de Harry Potter e o Enigma do Príncipe:

 Harry Potter e o Enigma do Príncipe 4

  • Eu não me lembrava da maldição do cargo de professor de Defesa Contra as Artes das Trevas! Sempre achei que fosse uma coincidência ou uma lenda entre os estudantes.
  • É interessante reler o capítulo do assassinato de Dumbledore por Snape sabendo de toda a conversa que se passou mentalmente entre os dois, revelada apenas no sétimo livro.
  • No entanto, mesmo sabendo a verdade sobre Snape, continuo a odiá-lo.
  • Já perceberam quantas partidas de quadribol o Harry perdeu ou foi ferido logo no início? Ele já caiu da vassoura por causa de dementadores, foi atingido por um balaço e por um taco, recebeu detenção do Snape e foi banido pela Umbridge… E mesmo assim ele é considerado um super talento e tornado capitão no sexto ano.
  • Como sabemos desde o começo que realmente alguma coisa está acontecendo entre o Draco e Voldemort, eu me senti irritada com o Rony e a Hermione por não acreditar no Harry desta vez. Mas até entendo a relutância dos dois, depois das tantas obsessões sem fundamento do menino.
  • Aliás, é bem legal e diferente como este livro começa, acompanhando o Primeiro Ministro dos trouxas e depois a visita de Narcisa ao Snape.
  • É difícil de lembrar que eles já têm 16 anos! Eu continuo os imaginando crianças na maior parte do tempo.
  • A amizade de Harry, Hermione e Rony é e sempre será a minha preferida de todos os livros.

“’You said to us once before,’ Said Hermione quietly, ‘that there was time to turn back if we wanted to. We’ve had time, haven’t we?’”

  • Senti falta dos gêmeos neste livro, mas sinto um orgulho estranho (afinal, são personagens fictícios) do sucesso deles nos negócios.
  • Tem um trecho que diz que a biblioteca decepcionou a Hermione pela primeira vez, porque ela não conseguia achar nada sobre Horcruxes nos livros. Mas não é verdade! Ela já se frustrou com a biblioteca no quarto livro, quando eles não acharam nada que ajudasse o Harry na segunda prova, debaixo d’água.
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Sobre o autor

Brenda Bellani

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