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Sobre reler Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban

HP3

Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, o terceiro da série, não só é o meu livro favorito dos sete como também tem a minha plot twist preferida de todos os tempos! Além disso, é o que eu mais reli até hoje. E toda vez que eu o termino, gostaria de ser capaz de esquecer toda a história para poder me surpreender como na primeira vez, há uns 14 anos. Tenho vontade de abraçar o livro – e a J.K. Rowling por ser tão genial!

Um mundo de detalhes: novos personagens e cenários

Em Prisioneiro de Azkaban, somos apresentados a diversos personagens, lugares e elementos novos e alguns de extrema importância para a continuação da série: Sirius Black, Remo Lupin, Cedrico Diggory, Cho Chang, os dementadores, Bicuço, Madame Rosmerta, Sibila Trelawney, Hogsmeade, os patronos, o Mapa do Maroto (e Pontas, Aluado, Almofadinhas e Rabicho)…

“Their Seeker, Cho Chang, was the only girl on their team. She was shorter than Harry by about a head, and Harry couldn’t help noticing, nervous as he was, that she was extremely pretty. She smiled at Harry as the teams faced each other behind their captains, and he felt a slight lurch in the region of his stomach that he didn’t think had anything to do with nerves.”

J.K. Rowling não inventa personagens secundários à toa ou simplesmente para “colar” alguns cacos da história. Uma coisa que você vai aprendendo à medida que progride com a leitura é que todos têm a sua participação na trama. Ela constrói um mundo gigantesco e cheio de detalhes – do rato do Ron ao Dumbledore.

O Harry está sempre no lugar certo, na hora certa

Em Prisioneiro de Azkaban, o Harry calha de estar na sala do Lupin exatamente na hora em que Snape leva a poção de lobisomem para o professor. Relendo este trecho, me peguei pensando em como o Harry sempre consegue estar no lugar e na hora certa para saber de todas as fofocas do castelo desde o primeiro livro, sem mencionar as conversas alheias que ele escuta deliberadamente às escondidas.

“’I don’t go looking for trouble’, said Harry, nettled. “Trouble usually finds me.’”

Mas aí, com o passar das páginas, lembrei-me que ele tem uma razão genuína para isso (sem contar, é claro, de a narração ser em terceira pessoa, então Harry precisa estar em todos estes lugares para que o leitor saiba da história). Um dos motivos para o menino se enfiar em tanta enrascada e entreouvir conversas talvez seja porque as pessoas escondem MUITA coisa dele e contam apenas meias verdades para “protegê-lo”. Todo mundo parece saber mais sobre ele e o seu passado do que ele mesmo. Aí o Harry precisa usar oportunidades, quando conversa com Dumbledore e Lupin, por exemplo, para fazer perguntas que ninguém se prontificou a explicar antes. (A propósito, o diretor de Hogwarts parece deixar escapar segredos velados em todos os seus diálogos.)

Há um bruxo das trevas poderosíssimo às soltas, o primeiro a conseguir fugir de Azkaban e dos dementadores, e ele está procurando por Harry. E como o Harry fica sabendo disso? Ouvindo escondido uma conversa do Sr. e Sra. Weasley. No entanto, ninguém nunca antes explicou para ele todos os eventos que ocasionaram a morte de seus pais – as motivações de Voldemort para assassiná-los ou a provável traição de Sirius Black que, a propósito, é padrinho do Harry e ele não sabe.

“Why had nobody ever told him? Dumbledore, Hagrid, Mr. Weasley, Cornelius Fudge… Why hadn’t anyone ever mentioned the fact that Harry’s parents had died because their best friend had betrayed them?”

Plot Twist

Os acontecimentos na Casa dos Gritos ainda me deixam boquiaberta. São muitas revelações para poucas páginas e eu me lembro de ficar embasbacada a primeira vez que eu li! Tem um capítulo todo com o Lupin se explicando que talvez poderia ter sido menos maçante com mais diálogos do que um monólogo; tirando isso, tudo se encaixa tão perfeitamente, desde a criação do Mapa do Maroto ao traidor dos Potter.

Considerações sobre a releitura de Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban:

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  • Tirando a Casa dos Gritos, a minha parte preferida do livro é a final de Quadribol contra a Sonserina. Que partida! É uma narração empolgante e maravilhosa. Eu torcia tanto como se não soubesse ainda qual seria o resultado.
  • Malfoy é tão nojento que ele tem coragem de agir como se estivesse morrendo por causa de um corte no braço e depois tirar sarro do Harry por desmaiar e cair da vassoura.
  • Não pude evitar de pensar como seria se o Harry tivesse crescido com o Sirius e soubesse desde sempre que era um bruxo. Será que ele se envolveria em todos estes problemas em Hogwarts se a sua infância não tivesse sido traumática?
  • Aliás, o menino não tem um momento de sossego. Por cinco minutos ele achou que conseguiria se livrar dos Dursley, aí vem o Snape ferrar com tudo de novo. Não me lembrava quão vingativo, tresloucado e até mesmo infantil o Snape foi neste livro.

“’That is the second time you have spoken out of turn, Miss Granger,’ said Snape coolly. ‘Five points from Gryffindor for being an insufferable know-it-all.’

Hermione went very red, put down her hand, and stared at the floor with her eyes full of tears. It was a mark of how much the class loathed Snape that they were all glaring at him, because every one of them had called Hermione a know-it-all at least once, and Ron, who told Hermione she was a know-it-all at least twice a week, said loudly, ‘You asked us a question and she knows the answer! Why ask if you don’t want to be told?’”

  • Na cena em que estão resgatando o Black, bem no final do livro, a Hermione consegue abrir a janela com um simples Alohomora. Ele é o bruxo mais perigoso de todos e ninguém pensou em proteger a janela para ele não escapar? Foi um descuido do Fudge ou uma decisão proposital de Dumbledore porque ele já sabia que Harry e Hermione viriam resgatá-lo?
  • O vira-tempo é um objeto poderoso e em Harry Potter e a Criança Amaldiçoada ele já foi até proibido no mundo mágico, mas no terceiro livro deixaram um deles com uma menina de 13 anos só para que ela conseguisse assistir a mais de uma aula ao mesmo tempo. Nem mesmo que fosse uma aluna certinha como a Hermione, cadê a responsabilidade desse corpo docente? E depois Dumbledore ainda permite que ela e o Harry voltem no tempo para mudar os acontecimentos e correr risco de vida de novo!
  • Lupin é o melhor professor de Hogwarts durante toda a série.
  • Talvez (e só talvez meeeesmo), lendo todos os sete livros de novo e em ordem, algum deles tome o lugar de preferido da série… Let’see. (Mas eu duvido.)

“’You think the dead we have loved ever truly leave us? You think that we don’t recall them more clearly than ever in times of great trouble? Your father is alive in you, Harry, and shows himself most plainly when you have need of him…”

Sobre o autor

Brenda Bellani

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