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Y – O último homem

Subitamente, todos os homens do planeta morrem. Sem nenhum motivo aparente, começam a sangrar e caem sem vida. Bilhões deles. E não só os humanos: os machos de todas as espécies. Todos os seres de cromossomo Y estão extintos, com exceção de dois sobreviventes: o humano Yorick e o seu macaco Ampersand (que é o nome desse símbolo aqui: &).

Mas por quê?

Yorick é um jovem de 20 e poucos anos bobão e imaturo. Ele trabalha com mágica e é especializado em fugas, o que vem bem a calhar com o desandar da história. Como o último macho do mundo inteiro, o garoto passa a ser um dos seres mais valiosos da Terra. Não porque as mulheres não consigam se virar sozinhas, mas porque, sem o sexo oposto, a humanidade não será capaz de continuar procriando.

O mundo sem os homens

Escrita por Brian K. Vaughan e com arte de Pia Guerra (e participação de mais um monte de gente, como Goran Sudzuka e José Marzán Jr.), a série Y – O último homem foi lançada em 2002 em 60 edições pela Vertigo, apesar de agora ser possível comprar versões especiais com vários capítulos publicados juntos.

De fato, os primeiros dias após o súbito surto foram o caos – a perda de entes queridos, a loucura da situação sem explicação, sem contar os milhares de cadáveres espalhados por todos os cantos. No entanto, não demora muito para que as mulheres tomem as rédeas da sociedade, liderando todos os aspectos para a continuação da vida na Terra, até mesmo os governos e a obsessão pela dominação mundial.

A mãe de Yorick é uma congressista e por fazer parte do governo consegue uma agente especial para acompanhá-lo, a 355, uma agente do Círculo Culper que leva a missão de proteger o último homem da Terra muito a sério. Os dois partem para encontrar uma das únicas pessoas vivas que podem solucionar a extinção da vida: a doutora Mann (um nome que com certeza foi uma ironia proposital), uma bioengenheira especializada em genética, que vinha trabalhando secretamente na clonagem humana.

Ironias

A graphic novel é cheia de ironias. Por exemplo, o último homem do mundo tem uma noiva chamada Beth, que estava de intercâmbio na Austrália no momento do apocalipse, e é totalmente fiel a ela – mesmo sem saber se ao menos ela ainda está viva e quando ele poderia ter quem e quantas mulheres quisesse em sua atual situação.

E é claro que também tem muita loucura: algumas femininas extremistas montam um grupo das Filhas das Amazonas e acreditam que a morte coletiva significou uma seleção da natureza para se livrar dos homens; há mulheres se passando por homem para satisfazer as sobreviventes carentes; chá chinês se torna uma moeda aceitável; e muito, muito mais. De coveiras a presidentes, as mulheres assumem todas as funções existentes, até de ninjas, mafiosas e assassinas de aluguel. E a trupe de Yorick obviamente parece encontrar todo tipo possível de personagem peculiar.

Além disso, Y é recheado de tiradas hilárias sobre tudo, desde política a religião (afinal, onde estava Deus quando todos os homens morriam?), e referências a filmes, séries de TV e livros. O livro tem muitos personagens secundários que vão e voltam e possuem a sua importância específica na trama, como Hero, a irmã de Yorick, e uma astronauta grávida.

Uma odisseia

Drª Mann é uma mulher muito inteligente, mas mais frágil e humana; 355 é durona, eficiente e misteriosa. Ambas são personagens extremamente carismáticas. Yorick é bem pueril e faz um monte de burrada, além de viver se perguntando o porquê de ter sido o único sobrevivente e precisar lidar com o fardo dessa sua posição. Mas o afeto pelo protagonista vai crescendo à medida que ele também vai amadurecendo com a trama.

São mais de três anos acompanhando o trio por uma longa viagem por todos os EUA e mais uns três países, à procura de uma explicação para as mortes e também de uma solução. A agente 355 precisa salvar a pele dele incontáveis vezes em situações cada vez mais absurdas e inusitadas.

Y – O último homem é genial, eu recomendo muito.

Adaptação para a TV

A HQ está sendo adaptada para TV e eu só tenho uma coisa a dizer: isso tem o potencial de ser sensacional e o que não falta é história para várias temporadas! O roteiro está sendo escrito pelo próprio Brian K. Vaughan e a adaptação será transmitida pela FX. Infelizmente, ainda não há previsão para estreia.

Sobre o autor

Brenda Bellani

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